quinta-feira, 20 de junho de 2013

Essas Tardes...

Hoje, pensando na MTv (que agoniza), lembrei do período em que bandas descobriram clipes como ferramenta de divulgação do trabalho. Alguns marcaram o [meu] fim dos anos noventa: "Uma Brasileira" dos Paralmas tinha Djavan e piano Holz na mesma música (sucesso!); "Garota Nacional" do Skunk e aquele festival de curvas na tela - tremenda maldade com qualquer adolescente a esbanjar hormônios (não encontrei o clipe original); o clima noir e de coisa proibida que Fiona Apple colocou em "Criminal" levava a imaginação para ambientes esfumaçados; "Californication" do Red Hot tinha outra onda, mais inspirada nos videogames que começavam a impressionar com gráficos e jogabilidade; o acústico do Gilberto Gil (ok, não é clipe, mas é "fruto" da MTv) inspirou jovens tardes e plantou em mim a semente da MPB.
Tempo passa, referências mudam, surgem novidades e coisas que eram bacanas podem perder ibope. Mas em nossos corações, Estas Tardes são eternas. Ontem vivi uma dessas! Ouvir o hino nacional cantado em capela até o fim por torcida e seleção brasileira foi momento mágico. Difícil dizer o que está acontecendo por aqui, mas fica a impressão de que estamos subvertendo uma série de pré-conceitos: a nação de chuteiras é instrumento de alienação, copa serve pra ganhar votos, o povo brasileiro é passivo, blá blá blá.
Fica o desejo de que o brilho destes dias nunca se apague e que este seja um início de sérias mudanças em nosso país. Fecho o texto com palavras emblemáticas dos Paralamas: "Alguma invenção que faça o tempo parar esta tarde Quando se for o sol, que a luz deste dia nunca acabe". Será que inventamos um jeito de parar o tempo?!


terça-feira, 30 de abril de 2013

Paulo Vanzolini

Paulo Vanzolini, falando sobre esta música, pontuou algo que parece óbvio, mas normalmente nos esquecemos: o mais importante para dar a volta por cima é reconhecer a queda!

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Barcelona - Freddie Mercury & Montserrat Caballé

Ontem minha tarde terminou com a triste notícia da perda de um grande amigo. Ainda não assimilei o golpe, mas lembrei que no final do ano passado ele enviou-me este texto. Apesar de ter gostado muito, achei que tinha ficado grande para os padrões do blog e ele disse que não estava terminado.



Segue o texto:

Queria eu poder contar uma história bonita. Uma daquelas histórias cheias de romantismo que surgem naturalmente quando pessoas românticas visitam lugares românticos. Mas não vou mentir. Quando visitei o Parque Olímpico de Barcelona, sede das olimpíadas de 1992, eram tantos afazeres turísticos que eu ainda tinha de enfrentar, que não pensei em nenhum momento naquilo que mais me marcou naqueles jogos. Clima ameno, as cores se avivando com o lindíssimo por do sol do alto do Montjuic e o máximo que consegui foi fazer uma rápida chacota sobre o arqueiro que errou a flecha que acenderia a tocha olímpica. Nada sobre o dueto entre Freddie Mercury & Montserrat Caballé que fez a melhor trilha sonora de jogos olímpicos desde a Grécia antiga. Tudo bem, meu lema é que viagem grande a gente digere aos poucos. Como jibóia a um bezerro.
Na época, eu não tinha mais que 10 anos de idade. Eu não gostava de música mas tinha ganhado um walkman novo, um daqueles digitais, que procurava as estações de rádio sozinho. Eu gostava mesmo era de tecnologia, mas precisava de alguma fita para testar minha nova geringonça. Eu já tinha destruído minhas fitas da Xuxa há tempos, depois que descobri que tapando aqueles furinhos laterais com durex, poderia gravar por cima das músicas originais. Assim, no ócio vespertino de minha tenra infância de apartamento, produzi inúmeras rádios experimentais e acabei com todo meu acervo de fitas. Uma tia, pelo que me lembro, deixou que eu levasse uma fita de sua casa. Ou talvez eu não a tenha avisado. Bem, não importa. O que interessa é que a fita se chamava Barcelona. Era o dueto formado pela cantora lírica espanhola Montserrat Caballé e o astro do rock inglês Freddie Mercury. Na época, obviamente, eu não sabia de nada disso. Pra mim, era a fita do bigodudo e da gordona escandalosa. Também pudera, na capa da fitinha, Freddie estufava o peito de colete, roupa social e gravata borboleta, enquanto Caballé, sentada, sorria graciosa dentro de um vestido sóbrio. O encarte tinha tons envelhecidos e fontes para lá de tradicionais, quase do velho oeste. Na minha jovial ignorância, achava que aquilo era velho, muito velho, mais velho que os meus pais.
Na brincadeira de testar o walkman, acabei conquistado pelas canções do casal – é claro que ajudou também eu só ter aquela fita e não ter a mínima paciência com locutores de rádio. O contraste entre as duas vozes de potência arrasadora e as músicas que iam do clássico ao rock em segundos me impressionavam cada vez mais à medida que eu rebobinava a fita para ouvi-la novamente. Não é a toa que Mercury, com sua banda Queen, se destacou por ter criado um novo gênero chamado Opera Rock. Todas as músicas soavam como sinfonias enxutas, com momentos suspirados, de quase silêncio, até radicalismos extremos, quando orquestra, guitarras, coral e cantores entram juntos com toda potência.

Gabriel Labanca
PS: Labanca, vc só errou numa coisa: a história é bonita!
PS2: Outra hora posto um link pro disco

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

1984 - Gilberto Gil - Raça Humana

Há algum tempo procurei este disco por conter as músicas "Tempo Rei", "Vamos Fugir" e "Índigo Blue". Nas primeiras audições, só consegui "digerir" essas três faixas. O álbum é da fase em que Gil experimentava instrumentos eletrônicos, o que dá brilho oitentista aos arranjos e dificulta a experiência de ouvidos acomodados aos timbres contemporâneos.
Com o tempo, porém, o tom ácido e crítico das letras começou a falar mais alto. Gil cospe marimbondos contra segurança que quis barrá-lo de algo, conta história de Pessoa Nefasta que tem a aura da besta, aborda o preconceito de raça, fala sobre A Raça Humana, suas imperfeições, belezas etc.
Outro ponto forte do disco é que Gil consegue deixar a carga pesada de lado e flutuar em canções como "Tempo Rei" e "Vamos Fugir", que foi gravada no lendário estúdio caseiro de Bob Marley (Tuff Gong, que depois virou seu museu) e conta com ilustre presença da banda The Wailers, vale reparar que os backing vocals ficaram em inglês.
Hoje, sou o feliz proprietário de uma cópia deste LP. Diga-se de passagem que é dos mais assíduos em minha vitrola!

01 - Extra II "O Roque do Segurança"
02 - Feliz Por Um Triz
03 - Pessoa Nefasta
04 - Tempo Rei
05 - Vamos Fugir
06 - A Mão de Limpeza
07 - Índigo Blue
08 - Vem Morena
09 - A Raça Humana

BAIXE AQUI "RAÇA HUMANA"!!! (Rapidshare - Link do UmQueTenha)

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Casa

Dia desses surgiu em minha rede social o clipe da música Home,  com Edward Sharp & The Magnetic Zeros (que até então não conhecia). Video bonitinho, música de fácil memorização, cheia de assobios e pegada alegre. Tive impressão de assistir a alguma propaganda de margarina neo-hippie-chique. Enfadonho, mas serviu de metáfora para esta postagem. A casa está empoeirada e cheia de coisas por fazer, mas esboço retorno.

À sua maneira, Graciliano Ramos narra a Angústia de querer sair de lugar ou situação. Tomo a liberdade de transcrever um parágrafo para em seguida adicionar dois outros videos:

"Se pudesse, abandonaria tudo e recomeçaria as minhas viagens. Esta vida monótona, agarrada à banca das nove horas ao meio dia e das duas às cinco, é estúpida. Vida de sururu. Estúpida. Quando a repartição se fecha, arrasto-me até o relógio oficial, meto-me no primeiro bonde de Ponta-da-Terra." [Angústia - Graciliano Ramos]

Isso fez-me lembrar de Elephant Gun, do Beirut, que começa a letra de maneira semelhante: "If I was young, I'd flee this town" (Se eu fosse jovem, fugiria desta cidade).  Gilberto Gil, com mais suingue e delicadeza, também manifesta este desejo em "Vamos Fugir". Amigos, sejam bem-vindos de volta ao nosso pequeno canto de fuga.



PS1: para não pesar a página, deixei apenas um video aqui, os outros você vê ao clicar nos links
PS2: obrigado pelo carinho via emais e comentários durante o período em que estive ausente

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Luto


Não sou devorador de jornais, mas tenho lá minhas manias. Existem alguns cadernos e colunistas que nutro afeição. Dentre essas leituras, minha favorita sempre foi a coluna do Daniel Piza.
Saía aos domingos na última página do caderno dois do Estadão e o cara abordava temas como economia, política, literatura, teatro, cinema etc sempre com conhecimento de causa e visão crítica. Escrevia aforismos que por vezes tocavam diretamente o momento que o leitor vivia, noutras era provocativo, sábio ou sei lá o que.
Na última sexta-feira, dia 30/12/2011, Daniel sofreu um AVC e deixou grande lacuna se não no jornalismo brasileiro, em minhas leituras dominicais.
Caso você não o conheça, deixo aqui dois links para uma conferida no trabalho deste grande que tão prematuramente nos abandona.
Site do Daniel
Blog do Daniel (Estadão)
PS: hoje parto para conferir se está tudo certo em Conceição da Barra e, quando retornar, prometo postar alguns sons que conheci em 2011 e não compartilhei com vocês.
Grande abraço, força e sorte a todos nós neste 2012 que anuncia-se duro.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

2004 - Junio Barreto


A família Daher, que tenho felicidade de fazer parte, desde que me entendo por gente, tem uma espécie de tribuna sagrada onde somos todos iguais. Mais do que isso, gostamos de lá estar, reunirmo-nos e ouvirmo-nos. Esse templo nada secreto fica em Conceição da Barra e a melhor época para encontrar Dahers em massa é janeiro.
Lá, tive a felicidade de conhecer este álbum do Junio Barreto. Lembro do meu primo Thiago, que na época estava com mania de ouvir um monte de som esquisito, chegar sugerindo que eu postasse este disco no blog. Para mim, a primeira audição beirou o desastre. Achei a voz do artista por demais grave e que as letras beiravam o nonsense.
Sem sentido foi a impressão inicial. Quanto mais ouvia as canções, mais envolvido ficava. O que não falta é motivo pra curtir: melodias combinando piano e batuque, eletrônico e acústico e outras vezes passeiam entre regional e global. Letras cheias de lirismo e mensagens de afeto, amor e fraternidade são outro ponto alto deste trabalho.
Já na faixa de abertura, "Qualé Mago?", Junio me arremessa para Itaúnas (vila da estimada Conceição da Barra) e logo estou por lá a andar descalço, rodeado de amigos bons, para então chegar em casa, onde mesa farta nos aguarda; "Se vê que vai cair deita de vez" é canção com sabedoria que mora na simplicidade; "Oiê" consegue amaciar dureza de uma vida de privações e colorir árido cenário com flores, crianças e sereno riso.

01 - Qualé Mago?
02 - Se Vê Que Vai Cair Deita De Vez
03 - Amigos Bons
04 - Aclimação
05 - Oiê
06 - Santana
07 - Passeio
08 - Do Caipora ao Mar
09 - A Mesma Rosa Amarela
10 - Se Vê Que Vai Cair Deita De Vez (Remix)

BAIXE AQUI "JUNIO BARRETO"!!!
(link do UmQueTenha)

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Mozart - Por Norbet Elias

Dentre os livros escritos por Norbert Elias, sociólogo que tentou elucidar questões referentes à relação entre indivíduos e sociedades, existe uma biografia intitulada "Morzart Sociologia de um Gênio" em que o autor, para narrar a trajetória do compositor, traça as características da sociedade em que este vivia assim como peculiaridades do Mozart indivíduo. Elias tenta quebrar com algumas visões um tanto paradigmáticas acerca de Wolfgang Amadeus Mozart.
Transcrevo aqui um pequeno trecho da biografia e também deixo video com a primeira parte da ópera Don Giovanni.

"Mozart era um homem simples, sem nada de particularmente impressionante para quem o visse na rua, muitas vezes infantil e, nas conversas particulares, estava longe de poupar metáforas relativas a escrementos. Desde a mais tenra idade, sentiu grande necessidade de amor, o que, nos curtos anos de sua maturidade, se manifestou tanto num anseio físico como no constante desejo pelo afeto de sua mulher e de seu público. A questão é como alguém provido de todas as necessidades animais de um ser humano comum podia produzir uma música que parecia, aos que a ouviam, desprovida de qualquer natureza animal. Esta música é caracterizada por termos como 'profunda', 'sensível', 'sublime' ou 'misteriosa' - parece fazer parte de um mundo diferente daquele da experiência comum, no qual a mera reunião de aspectos menos sublimes dos seres humanos tem um efeito degradante."

Norbert Elias em "Mozart Sociologia de um Gênio"

sábado, 19 de novembro de 2011

1976 - Steve Miller Band - Fly Like an Eagle


Não sei o ano que o filme "Space Jam" foi lançado, mas lembro as impressões que tive assistindo ao filme em 1997. Além da diversão de ver astros da NBA como Michael Jordan e Charles Barkley interagindo com Pernalonga, Patolino e companhia limitada, a trilha sonora tinha "Fly Like an Eagle" em versão do Seal. A música, que era o hit do filme, não saiu da minha cabeça. Fui atrás do som e descobri que tinha sido lançado no disco que hoje posto.
Em 97 não achei tanta graça neste disco e curtia apenas a faixa título, mas também não gostava de Beatles, Stones e Led Zeppelin não passava de um monte de cabeludo fazendo barulhos completamente nonsense. Felizmente o tempo passou e minha percepção sobre o rock mudou. Esta semana tive a sorte de encontrar este LP à venda, fui escultá-lo novamente e impressionei-me com o óbvio: a experiência da audição muda ao longo do tempo!
O rock que Steve Miler faz é diferente daquele do final dos anos 60. Aqui ele une licergia e diferentes tradições musicais. Rock'n'roll, soul e blues misturados em doses diferenciadas em cada faixa dão interessante tom ao disco. Serenade é uma balada de rock com simples riff e conta com envolventes vocais de fundo, Dance Dance Dance tem pegada country e Steve Miler parece cantar com certo "sotaque caipira", Mercury Blues é regravação de famoso blues que bem nos situa pelas higways americanas, The Window tem interessante intro cheia de contornos sombrios e a letra assume certo tom existencial.
Além de fazer os vocais, Steve Miller toca guitarra, cítara e piano elétrico. Completam a banda Gary Mallaber na bateria e percussão e Lonnie Turner no baixo. Você pode até não gostar do disco, mas aqui está um trabalho bem feito que tem interessante voo sonoro. Vide as variações entre Serenade, Fly Like an Eagle, Take the Money and Run e Mercury Blues, que têm diferentes bases e não perdem unidade melódica.

01 - Space Intro.
02 - Fly Like An Eagle
03 - Wild Mountain Honey
04 - Serenade
05 - Dance, Dance, Dance
06 - Mercury Blues
07 - Take The Money And Run
08 - Rock'n Me
09 - You Send Me
10 - Blue Odyssey
11 - Sweet Maree
12 - The Window

BAIXE AQUI "FLY LIKE AN EAGLE"!!! (Rapidshare)

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

2011 - Criolo - Nó Na Orelha


Em junho deste ano, enquanto fazia uma visita a Sampa, uma amiga comentou sobre um tal de "Criolo", que em julho faria shows de lançamento do disco "Nó Na Orelha" lá no Studio SP e que por coincidência, seriam em datas que também estaria na terra da garoa. Imaginei ser boa idéia ir ao evento, no mínimo estaria numa casa de shows bacana em noite de gala. Por vacilo meu, esqueci do ingresso e perdi a noitada. Opiniões um tanto suspeitas (explico: pessoas que já eram fans de tempo do cara) davam conta de que a noite havia sido linda e que o trabalho prometia dar um bombada.
O tempo passou, novas coisas vieram ocupar minha cabeça e esqueci do disco. Dia desses, um pouco de saco cheio com todas essas coisas e também como forma de presentear meu aniversário, tirei o fim de tarde para ouvir novos sons. Comecei com "Nó Na Orelha" e aqui fiquei!
"Bogotá", faixa de abertura tem intro com guitarras e metais naquela pegada funky um tanto venenosa. O disco, que logo de cara chamou minha atenção, mantém-se firme com músicas que variam entre momentos reflexivos e outros mais animados. As fortes letras, cheias de visão crítica, abordam temas como violência, amor (ou falta de), o cotidiano da vida na cidade, contexto social etc.
Outro ponto que merece destaque é a estratégia de vender CD e vinil (que cá entre nós, proporciona uma experiência de audição infinitamente mais agradável, mas isso é assunto para outra hora!) e colocar o mp3 com downloads gratuitos.
Para completar, num trabalho tão cuidadoso como este, não poderiam faltar adequadíssimas instrumentações que ajudam a colorir as melodias e ritmos que passam por reggae, samba, hip-hop, funk e rap.

01 - Bogotá
02 - Subirusdoistiozin
03 - Não Existe Amor em SP
04 - Mariô
05 - Freguês da Meia Noite
06 - Grajauex
07 - Samba Sambei
08 - Sucrilhos
09 - Lion Man
10 - Linha de Frente

BAIXE AQUI "NÓ NA ORELHA"!!! (SITE DO CRIOLO!)

domingo, 9 de outubro de 2011

Duas ou três coisas que lembro de 1985

Dia desses, cruzava a ponte Rio-Niterói com pensamento fechado em certo projeto que preciso escrever e bastante angustiado com tantas coisas que faltam. Era época de Rock'n'Rio e certa declaração polêmica da Cláudia Leite (cá entre nós, a atitude mais roqueira desta edição do evento) era assunto abordado pelo radialista. Em meio à atmosfera da festa, deixei-me levar pela memória e fui passear pelas coisas que associo à primeira edição desta ode ao rock.
As lembranças começaram com um pequeno garoto que, de férias numa cidade de praia, já preferia trocar os dias pela noite para assistir a todos aqueles espetáculos que sequer entendia direito. Não esqueço o forte desejo que aflorava em conhecer o Rio de Janeiro, cidade do Cristo, Flamengo e Vasco, Zico, Bebeto, Roberto Dinamite e Romário. Lembrei de dois outros ídolos, Ayrton Senna e Nelson Piquet. A primeira música que me veio à cabeça e que, diretamente relaciono ao imaginário da festa, foi "Bete Balanço". Para minha surpresa, a música foi lançada naquele show.
O ano era 1985 e muitas coisas ainda aconteceriam: a primeira vitória de Ayrton Senna em um Grande Prêmio de Fórmula 1, uma goleada que o Vasco meteu no Flamengo (sem Zico, que estava na Udinese) e o primeiro dente que deixei cair na árvore do quintal do meu avô, lá em Cachoeiro de Itapemirim.
Em meio a essas lembranças, por alguns instantes esqueci infame projeto e deixei aquele menino contemplar a Baía de Guanabara e as luzes do Redentor.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

1980 - Vinicius de Moraes - Testamento


Difícil resumir em palavras esta jornada que hoje completa cinco anos. Por incontáveis vezes perguntei-me sobre o propósito deste espaço. Seria aqui lugar para indiretamente revelar meu humor, minhas paixões, meus medos, meus sonhos? Estaria aqui para compartilhar músicas que me tocam? Ou então é alguma forma de auxiliar minha combalida memória? Admito que continuo incapaz de responder tais questões.
Olhar para trás e pensar no caminho percorrido nestes marcantes 5 anos sem emocionar-me é impossível. Lembro da primeira postagem, das primeiras revelações (um tanto inseguras) aos amigos sobre essa história de ter blog, da primeira declaração de amor, dos momentos de silêncio, desabafos, piadas, textos de amigos, interações com leitores, artistas e tantas outras experiências que não passaram (nem passarão) em branco.
Para comemorar a data, deixo este "Testamento" de incalculável valor que o querido poetinha Vinicius de Moraes presenteou-nos em 1980. O disco conta com participações de Toquinho, Marilia Medalha, Maria Creuza e Maria Bethânia e é cheio das mais lindas frases tais como "quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não". Andava meio em falta com o "branco mais preto do Brasil, na linha direta de Xangô", mas neste frio final de semana, Vininha veio aquecer meu coração ao recitar versos dentro de "Eu sei que vou te amar" e também machucá-lo um pouco ao relembrar-me das inúmeras despedidas com "Mais um adeus".
Obrigado a todos que de alguma forma fazem parte desta fantástica experiência!

01 - Como Dizia O Poeta [Vinicius, Toquinho e Maria Medalha]
02 - Mais Um Adeus [Toquinho e Maria Medalha]
03 - Tarde Em Itapoan [Vinicius, Toquinho e Maria Medalha]
04 - O Velho E A Flor [Vinicius e Toquinho]
05 - Eu Sei Qu Vou Te Amar [Vinicius e Maria Creuza]
06 - Testamento [Vinicius e Toquinho]
07 - São Demais Os Perigos Dessa Vida [Vinicius e Toquinho]
08 - Apelo [Vinicius, Toquinho e Maria Bethania]
09 - Garota De Ipanema [Vinicius e Toquinho]
10 - Marcha De 4a Feira De Cinzas [Vinicius e Toquinho]
11 - Tomara [Vinicius e Maria Medalha]
12 - Canto De Ossanha [Maria Creuza, Vinicius e Toquinho]


PS: ando um tanto ausente, portanto não sei se ainda hoje conseguirei responder a todos os comentários que pintaram por aqui durante este período

sábado, 6 de agosto de 2011

Novos Rumos

Paulinho da Viola e sua sensitiva sabedoria.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

1976 - Edu Lobo - Limite das Águas


Hoje reposto o disco "Limite das Águas" com texto do grande amigo e consultor para assuntos transcendentais Carlos Jr. Desde nossa adolescência o cara curtia Edu Lobo e um dia conseguiu convencer-me que o cara é sensacional. Acontece que ele leu meu texto sobre este disco e teve ponto de vista diferente do meu. Nada mais justo do dar a voz ao cara.

"Este disco foi criado pelo Edu depois que ele voltou de um período em Los Angeles estudando arranjo e orquestração. Mas ao contrário do que poderia se esperar, é um disco essencialmente centrado na força da canção. Por outro lado, é clara a influência que a temporada no exterior exerceu sobre seu processo criativo. É como se agora Edu fosse capaz de pensar a canção sem estar preso ao instrumento (seja o violão ou o piano – no caso dele, mais o violão), ou pelo menos, como se tivesse adquirido uma habilidade maior para desconstruir a própria idéia original a partir de um leque mais rico de possibilidades musicais, tal como o diretor de cinema que lê o roteiro original e imagina mil situações para transformá-lo em filme.
Em suma, é como se Edu tomasse consciência de que uma canção é mais um roteiro do que uma música, e que o resultado final pode ser infinitamente mais rico do que a mera sobreposição da seção rítmica e melódica à idéia musical original. Talvez neste disco Edu esteja fazendo música como quem faz cinema...
As letras tentam romper de vez com a herança bossa-novista de seu parceiro e referência de início de carreira, Vinícius de Morais. Com exceção talvez de duas faixas, “Considerando” e “Toada”, as letras tentam exprimir uma subjetividade menos linear, mais fragmentada, como que tentando transmitir a intensidade das impressões, mais do que sua síntese numa “moral sentimental da história”. Outras vezes, elas seguem o caminho oposto e assumem a figura de um narrador externo, mas ainda preferindo o relato fragmentado e “impressionado” dos fatos, jogando de forma (propositalmente) confusa com eles, como se a intenção fosse mais construir uma certa “textura simbólica”, do que contar uma história propriamente.
Enfim, este me parece um disco onde Edu se sente maduro o suficiente para permitir se perder, arriscar novos caminhos musicais, sem com isso abrir mão da unidade estética, ou perder o leme do processo criativo. Como se ele tivesse a confiança de que, ao final, ele se encontraria novamente, mas agora num novo patamar artístico."
Carlos Dalla Bernardina Junior

01 - Uma vez um caso (part. Joyce)
02 - Negro, negro
03 - Considerando
04 - Toada
05 - Gingado dobrado (nordestino)
06 - Limite das águas
07 - Cinco criancas
08 - Segue o coração
09 - Repente

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

1969 - Maria Bethânia


Em 1969 Maria Bethânia ainda era artista em início de carreira, com apenas 23 anos ela exibia algumas virtudes que ainda hoje marcam seu trabalho. Dentre elas listo o cuidado na preparação do disco, passando pela escolha de banda, arranjos e interpretações com grande carga emocional.
Logo na primeira faixa ela demonstra capacidade de suingar e intensamente solta os pulmões sem perder gingado. Em seguida, com densidade fala do triste momento da separação em "Pra Dizer Adeus". Já "Ponto do Guerreiro Branco" é música de domínio popular (outrora chamada de canção folclórica) em que ela convida-nos para uma roda de capoeira.
O álbum segue a variar ritmos e momentos de tristeza com outros animados. Bethânia acertou tanto no repertório (canta músicas de Dorival Caymmi, Edu Lobo, Capinan, Tom Jobim etc) como nas interpretações, ficando difícil destacar músicas, mas gosto muito do balanço cheio de metais e certa pegada jazzística em "Dois de Fevereiro", assim como da empolgação que ela explicita ao desejar sempre estar ao lado de seu amado em "Andança".

01 - Yê-Melê
02 - Pra Dizer Adeus
03 - Ponto do Guerreiro Branco
04 - Preconceito
05 - Dois de Fevereiro
06 - O Tempo e o Rio
07 - Frevo nº 2 do Recife
08 - Duas Contas
09 - Andança
10 - Onde Andarás
11 - Agora É Cinza - A Fonte Secou - Eu Agora Sou Feliz - O Nosso Amor - Cidade Maravilhosa

terça-feira, 2 de agosto de 2011

2007 - Vitor Ramil + Marcos Suzano - Satolep Sambatown


Satolep Sambatown é a fusão de dois universos particulares. Marcos Suzano, percussionista que além da carreira solo já tocou com artistas como Gilberto Gil, é carioca e tem formação fortemente ligada à tradição sambista do Rio de Janeiro. Dele vem a referência "Sambatown", enquanto "Satolep" é anagrama da cidade natal de Ramil: Pelotas. Vitor define-se como narrador de uma "estética do frio" e para isso lança mão de harmonias abertas, arpejos em cordas de aço e letras banhadas em densa poesia.
O disco já começa com uma ferida exposta. Livro Aberto deixa claro sentimento de falta que vive dentro do poeta que lança mão de frases como "essa cama imensa que não vai passar", sugerindo forte ausência dentro de seu eu. Marcos Suzano acrescenta gravidade e desespero com ricos elementos percussivos, destaque para a cuíca e o vento que sopra ao final da faixa. Em seguida, o vento continua a uivar solidão em "Invento". O caminho segue com músicas a contar viagens, ilusões, aridez, seca, paixões, sonhos, desespero e desejo de encontrar seu lugar.
Além de intenso conteúdo poético, outro ponto alto do trabalho está nos ricos arranjos feitos e no cuidado e beleza que Marcos Suzano imprime nas percussões. Batuques, assobios, cuícas, pandeiros, baterias e inúmeros outros elementos embutem charme e categoria ao disco.

01 - Livro Aberto
02 - Invento
03 - Viajei
04 - Que Horas Não São (part. Kátia B)
05 - O Copo e a Tempestade
06 - A Zero Por Hora (part. Jorge Drexler)
07 - 12 Segundos de Oscuridad
08 - A Ilusão da Casa
09 - Café da Manhã
10 - A Word is Dead
11 - Astronauta Lírico

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

2011 - Luísa Sobral - The Cherry On My Cake


Luísa Sobral é conhecida do público português há algum tempo. Aos 17 anos chegou à final da versão lusitana do programa ídolos. Agora, aos 23 anos, lança seu primeiro disco em que mistura solidez musical com alegria da juventude. Como bem sugere a capa do CD, este é um trabalho quase primaveril. Luísa colore as faixas com letras cheias de sonhos bons, solos de guitarra, banjos, assobios, harpas, pianos, metais, baterias e outros instrumentos com referências jazzísticas. Ela diz que gosta de Chet Baker, Ella Fitzgerald, Billie Holiday e outros mestres do estilo.
A cantora residiu em Boston por quatro anos, período em que estudou no Berklee College of Music e iniciou a compor canções que estão neste disco. Alcançou reconhecimento da crítica americana e foi indicada a melhor artista de jazz e melhor música de jazz em prêmios musicais na terra do Tio Sam, tais como o Malibu Music Awards e International Songwirting Competition.
Sua voz mistura doçura com firmeza e o som lembra-me artistas como os brasileiros Tiê e Thiago Pethit e também a americana Norah Jones. As músicas têm pegada alegre e apaixonada e convidam-nos a flutuar por leve universo musical. Por morar há muito tempo nos EUA, a maior parte de suas canções é composta em inglês, apenas três faixas são cantadas em português.

01 - I Would Love To
02 - Not There Yet
03 - Clementine
04 - O Engraxador
05 - Don't Let Me Down
06 - You Won't Take Long
07 - Mr. & Mrs. Brown
08 - Xico
09 - After All
10 - Why Should I?
11 - Saiu Para A Rua
12 - Déja Vu
13 - Oversize

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Crônica de Uma Morte Anunciada (Jah Salvaria?)

Ainda tenho fresco na memória o dia em que li o primeiro texto falando sobre Amy Winehouse. Segundo o colunista do saudoso blog NoMínimo, a branquela cantava com potência, intensidade e autenticidade comparáveis a de saudosas divas da música negra americana como Aretha Franklin, Billie Holiday e Ella Fitzgerald. O ano era 2006 e encontrar determinados discos na internet ainda levava certo tempo. Enquanto não conseguia baixar o disco (alguns meses de procura), sempre pintava novo texto cheio de elogios à tal Winehouse.
A espera por Back to Black envolvia um misto de ceticismo, curiosidade e torcida para que Amy fizesse por merecer inúmeras críticas positivas. A primeira audição foi impactante e repeat no iPod foi a tônica do primeiro semestre de 2007. Nessa época, pela primeira vez ouvi certa frase: "Vitor, as vezes você me assusta. Coloca uma coisa na cabeça e não tira!". Ouvir aquele disco era uma constante e a cada momento algo novo chamava minha atenção. Dentro das inúmeras belezas do disco, destaco três pontos: a bateria com pegada de marcha militar e a firmeza com que ela apoiaria seu homem numa guerra pagã (Some Unholy War), deixa no ar rara paixão; o duro (e belo) suingue com tom taciturno típico do lamento da música negra da faixa Back to Black; o tão falado conteúdo autobiográfico em que ela expõe fragilidades, vícios, fraquezas, amores, desilusões etc.
Revirando meu blog, encontrei breve texto descontraído (do final de 2007) em que eu desejava que Amy ao menos gravasse mais alguns discos antes da morte anunciada. Ano passado, durante sua temporada no Caribe, torci profundamente que Jah, o reggae e toda aquela vibração positiva envolta em luz verde salvassem a vida desta inesquecível cantora. Quando ouço o interessante ska Hey Little Rich Girl, vejo que ela realmente tinha alma negra e prova sua capacidade de transitar bem por diferentes estilos. Fico sonhando com Amy gordinha, tranqüila, livre das drogas pesadas e cheia de dreadlocks, num disco que ela não gravou, mas que seria jóia rara: Amy Winehouse meets Reggae Music.
Amy, porque você não caiu no reggae?
Rest In Peace

quinta-feira, 28 de julho de 2011

2010 - Sharon Jones & The Dap-Kings - I Learned The Hard Way


Sharon Jones é a rainha da soul music contemporânea. O poder de suas interpretações e extensão vocal provam que ainda existem estrelas vivas neste gênero. Fica claro que a cantora bebe na fonte da soul music dos anos 60 e 70 e tem trajetória similar à de grandes nomes da soul music. Iniciou sua carreira em corais de igrejas (berço de inúmeros artistas da black music), cresceu ouvindo nomes como James Brown e Ottis Redding e colaborou em alguns álbuns como backing vocal, mas nunca conseguiu gravar um disco próprio. Sendo assim, buscou sustendo de outra forma: foi carcereira e segurança de carro forte.
Em 1996 Sharon reencontrou-se com a música quando a banda de seu ex-marido precisava de backing vocal e ela prontificou-se imediatamente para o posto. A banda era Soul Providers, que depois virou The Dap-Kings. Anos depois, impressionados com a pegada funky, Amy Winehouse e Mark Ronson (produtor de Winehouse) foram a Nova Iorque para contratá-los para participar do álbum que Amy gravaria e acrescentar suingue e veneno. O álbum que surgiu desse encontro foi Back to Black.
Em junho deste ano Sharon esteve no Brasil e tive a felicidade de assistir ao melhor show do ano. A produção do evento foi impecável, som perfeitamente limpo, sem a menor distorção, deixando ecoar o timbre de cada instrumento com maior clareza possível. A banda The Dap-Kings iniciou o espetáculo e deu aula de irreverência, categoria e interação com o público. Quando Jones entrou no palco foi pura festa com momentos de soul music da melhor qualidade.

01 - The game gets old
02 - I learned the hard way
03 - Better things to do
04 - Give it back
05 - Money
06 - The reason
07 - Window Shopping
08 - She ain't a child no more
09 - I'll still be true
10 - Without a heart
11 - If you call
12 - Mama don't like my man

quarta-feira, 27 de julho de 2011

2008 - Dani Gurgel - Nosso


Semana passada, durante breve temporada em Sampa, tive a sorte de assistir ao show de Dani Gurgel. Confesso que não conhecia o trabalho da cantora. Logo de cara chamou-me atenção a formação da banda: voz, teclado e contra-baixo acústico.
A suave e firme voz de Dani somada a interessantes composições que narram fatos do cotidiano, por diversas vezes remeteram a momentos de minha vida e rapidamente cativaram-me.
O disco "Nosso" tem forte orientação jazzística norteado pela música popular brasileira e conta com 11 canções de 15 compositores (a maioria jovens paulistanos com pouco mais de 20 anos). Destaque para "Neneca", doce homenagem aos domingos em família na casa da avó, sempre acompanhados por almoço, tios e criançada reunidos, estripulias infantis, pudim aos montes, torcida por mais uma vitória do Ayrton Senna e deleite da Neneca, que também poderia chamar-se Odete.
Dani Gurgel, além de cantora e compositora, é fotógrafa e empreendedora. Ela tem um projeto chamado Música de Graça (vale conferida) em que músicos de diferentes vertentes da nova geração disponibilizam versões inéditas para download gratuito. Sugiro também visita ao site da cantora para baixar outras músicas por este link, basta cadastrar o email.

01 - Festa de santo
02 - Essa não...
03 - Samba do jazz
04 - Da pá virada
05 - Sem morada
06 - Laço na lua
07 - Três tristes trópicos
08 - Neneca
09 - Santuário do Pau de Aroeira
10 - Tambor guia
11 - Dá licença

2000 - Frank Jorge - Carteira Nacional de Apaixonado


Carteira Nacional de Apaixonado é o disco de estréia da carreira solo de Frank Jorge. Antes disso, ele foi baixista e guitarrista da banda gaúcha Graforréia Xilarmônica e também integrou os grupos Os Cascavelletes e Cowboys Espirituais. Neste álbum, Jorge envereda-se pela produção independente e faz um rock'n'roll suingado e irreverente. As letras são por diversas vezes irônicas, sarcásticas e um tanto piadísticas ("Serei Mais Feliz (Vou Largar a Jovem Guarda)" ilustra bem isso). Em outros momentos, como bem sugere o disco, surgem versos com tons mais luminosos e apaixonados, como em Sensores Unilaterais e Esperando a Saudade.
Já na instrumentação, Frank abusa de tecladinhos, sintetizadores e guitarras que dão tom de rock retrô que flerta com o brega. Essa ausência de "compromisso" com fórmulas pré-estabelecidas sobre como tocar e arranjar músicas de rock embute charme e diferencia o trabalho de Jorge.

01 - Gi.B.I.
02 - Serei Mais Feliz (Vou Largar A Jovem Guarda)
03 - Sensores Unilaterais
04 - Esperando A Saudade
05 - Nunca Diga
06 - Prendedor
07 - Bela
08 - Cabelos Cor de Jambo
09 - Não Recebo Em Dólar
10 - Homem de Neanderthal
11 - Saudade de Você
12 - Tá Na Boa
13 - Bounce

terça-feira, 26 de julho de 2011

1992 - Hermeto Paschoal - Festa dos Deuses


Hoje faço uma confissão aos estimados leitores: já cometi a falta de juízo de falar mal do trabalho de Hermeto Paschoal. Não sei explicar de onde vinha tanta implicância com tão pouco fundamento. Falado isso, foquemos no disco.
Festa dos Deuses, como bem sugere o título, é disco com melodias animadas e festivas que também conta com ricos arranjos em que entram vocais, sax, flauta, baixo, piano, bateria, percussão, cantos de pássaros etc. Grandes músicos como Itiberê Zwarg (baixo) e Carlos Malta (sax e flauta) acrescentam brilhantismo ao trabalho.
Destaque para as belas e cuidadosas texturas musicais que Hermeto cerze ao longo do álbum. O cara brinca com elementos percussivos com tal maestria que por vezes os instrumentos fazem-nos escutar água cair, em outras, discursos transformam-se em melodias (e vice-versa) e reverberam-se assim talento e genialidade de Paschoal.

01 - O galo do Airan
02 - Rainha da pedra azul
03 - Viajando pelo Brasil
04 - O farol que nos guia
05 - Pensamento positivo
06 - Peneirando água
07 - Canção no paiol em Curitiba
08 - Aula de natação
09 - Três coisas
10 - Irmãos latinos
11 - Depois do baile
12 - Quando as aves se encontram, nasce o som

sexta-feira, 15 de julho de 2011

1989 - Caetano Veloso - Sem Lenço, Sem Documento


Não sou muito fã de coletâneas, mas gosto desta pelo fato de ser um belo passeio pela carreira do Caetano e também por ter sido através deste disco que comecei a conhecer poesia e música deste que é um dos mais belos compositores da música popular brasileira.

01 - Alegria, Alegria
02 - Soy Loco Por Ti, América
03 - Tropicália
04 - Superbacana
05 - Atrás Do Trio Elétrico
06 - Lua de São Jorge
07 - Shy Moon
08 - Queixa
09 - Sampa
10 - Podres Poderes
11 - Você é Linda
12 - O Leãozinho
13 - Odara
14 - Qualquer Coisa
15 - Eclipse Oculto
16 - Trilhos Urbanos
17 - Trem das Cores
18 - Outras Palavras
19 - Beleza Pura

quarta-feira, 13 de julho de 2011

2009 - Devendra Banhart - What Will We Be


Hoje é o dia em que convencionou-se como aniversário do rock'n'roll. Muitos perguntam por onde anda e para onde ele vai, alguns acham que ele acabou, mas não sei, acho que está apenas adaptando-se aos novos tempos.
Para comemorar a data, posto um dos discos que mais gosto de ouvir deste que é um legítimo representante do novo movimento dentro do rock. O Devendra normalmente grava discos cheio de referências e transita por diferentes linhas do rock. Aqui a música não é marcada pelos fortes riffs de guitarra nem por melódicas linhas de baixo. O cara mescla rock com outros estilos como jazz, blues, pop, ritmos latinos e indianos.
O que não falta é motivo para eu gostar deste disco, posso citar a beleza das instrumentações, o fato de ele ser extremamente ensolarado e recheado de baladinhas românticas, animadas e/ou carinhosas como "Baby" (dá vontade de ter uma namorada e ficar o tempo inteiro junto!), "Brindo" (bela celebração ao amor), "Angelika" e "Can't Help But Smailing". Os outros discos do Devendra que conheço têm pegada mais psicodélica ou melancólica, então aqui eles provam que são capazes de fazer trabalhos com diferentes estilos sem ficar presos a fórmulas pré-estabelecidas, coisa rara atualmente. Outro ponto que me agrada é o título. Acho que ele acertou em cheio para a proposta de um disco de tom mais romântico, pois a pergunta é simples e profunda: "o que será de nós?" (em tradução livre).

01 - Can't Help But Smiling
02 - Angelika
03 - Baby
04 - Goin' Back To The Place
05 - First Song For B
06 - Last Song For B
07 - Chin Chin & Muck Muck
08 - 16th & Valencia, Roxy Music
09 - Rats
10 - Maria Leonza
11 - Brindo
12 - Meet Me At The Lookout
13 - Wiliamdzi
14 - Foolin'


PS: Continuo tendo dificuldades com o MegaUpload, por isso hoje aproveitei um bom link que encontrei na internet

sexta-feira, 8 de julho de 2011

1984 - Zizi Possi - Dê Um Rolê


Dia desses estava a passear por blogs de música e encontrei este disco que para mim é repleto de recordações (acho que este era um dos preferidos de minha mãe, impossível olhar pra esta capa e não pensar em tempo não tão distante - ao menos de minha memória afetiva - de música alta e casa cheia). A curiosidade em ouvir álbum que embalou minha infância e descobertas musicais foi imensa e imediatamente fui baixá-lo.
A faixa de abertura já entrou como furacão e misturou lembranças, impressões e invenções do que sou, gosto e admiro. "Dê Um Rolê" é das músicas dos Novos Baianos mais marcantes para mim, a forma torta, rasgada e autêntica de exprimir maneira particular de amar é para mim quase autobiográfica. Em meio a toda textura pop oitentista ainda há resquícios do rock'n'roll desesperado dos anos setenta em algumas canções. Arrisco dizer que o excesso de teclados (as vezes um tanto cafonas no meio do LP) nos arranjos do disco talvez seja responsável por meu inexplicável encanto com teclados, pianos, pianos holz e afins. Fato que muitas palavras e melodias ficaram registradas em nosso inconsciente e aqui não seria diferente.
Destaque para a interpretação intensa, autêntica, sedutora e firme em "Lábios", que considero o ponto alto deste trabalho. Teria isso a ver com o momento que ela vivia?
Para quem quiser ler um texto que explica (bem) melhor o disco e seu contexto, recomendo este texto do Sidney Rezende.

01 - Dê Um Rolê
02 - Lábios
03 - Depois Me Diz
04 - Papel Marché
05 - Pássaro Sem Ninho
06 - Cigana Nuvem
07 - Febril
08 - Luiza
09 - Nobreza
10 - Brilho Louco

1965 - Conjunto a Voz do Morro - Roda de Samba


O "Conjunto a Voz do Morro" foi uma idéia do Zé Ketti para juntar amigos sambistas que ainda não tinham gravado seus sambas de maneira profissional. Esse projeto quase independente contou com participação de notáveis sambistas, dentre eles estão Paulinho da Viola, Elton Medeiros, Zé Ketti e Nelson Sargento. Este disco conta também com Jair do Cavaquinho, José da Cruz e Anescar do Salgueiro.
Vale uma conferida neste interessante álbum que conta com os primeiros registros de algumas canções que viraram obrigatórias em qualquer roda de samba de qualidade!

01 - Peço Licença
02 - Intriga
03 - Mascarada
04 - Coração Vulgar
05 - Conversa de Malandro
06 - Pecadora
07 - Vai Saudade
08 - Jurar com Lágrimas
09 - Maria
10 - Coração de Ouro
11 - Não Sou Feliz
12 - Injúria
13 - Sonho Triste
14 - Meu Viver


PS: pessoal, a ausência não foi proposital, estava enfrentando problemas técnicos!

quinta-feira, 30 de junho de 2011

2003 - Los Hermanos - Ventura


Dia desses, uma amiga falou-me sobre disco que ouviu muito em determinada fase da vida e que apesar de gostar, achava que não seria capaz de escutá-lo novamente. Comentei que talvez, no futuro, uma ou duas faixas voltassem a fazer total sentido. Não sei se por força dessa conversa ou das circunstâncias, reencontrei-me com Ventura, primeiro álbum dos Los Hermanos a conquistar-me (e de maneira avassaladora, confesso). Lembro de ficar encantado com a mescla de rock com arranjos bem elaborados contando com metais, teclados, sintetizadores e cadências não tão óbvias.
Engraçado voltar a ouvir certas coisas seis anos depois. Algumas implicâncias continuam, ainda não consigo digerir "Cara Estranho", por exemplo. Por outro lado, devo ressaltar o lirismo do olhar de Camelo. Algumas letras tiveram fonte de inspiração em notícias de jornal (Conversa de Botas Batidas), televisão (O Vencedor) e outros discos. Se antes, o que mais chamava-me atenção era a forma quase ingênua, autêntica e cheia de suingue das canções do Amarante (coisa linda é a paixão na terceira idade narrada na faixa "Último Romance"), hoje o que me toca é a doce forma de encarar as durezas da vida e caminhar sonhando com sereno reencontro em que Camelo envolve-nos com "Além do que se vê".

01 - Samba a Dois
02 - O Vencedor
03 - Tá Bom
04 - Último Romance
05 - Do Sétimo Andar
06 - A Outra
07 - Cara Estranho
08 - O Velho e o Moço
09 - Além do que se vê
10 - O pouco que sobrou
11 - Conversa de Botas Batidas
12 - Deixa o Verão
13 - Do Lado de Dentro
14 - Um Par
15 - De Onde Vem a Calma


"é preciso força pra sonhar e perceber que a estrada vai além do que se vê"

terça-feira, 28 de junho de 2011

Ausência


Caros leitores, hoje compartilho um pouco mais dos sábios versos de Drummond.
Não resisti e acrescentei um desenho do Calvin!

Ausência
(Carlos Drummond de Andrade)

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

1971 - Novos Baianos & Baby Consuelo - No Final do Juízo


Em 1971, "Novos Bahianos" e Baby Consuelo lançaram o single No Final do Juízo. Aqui, a sonoridade das canções é o que mais chama atenção. Os músicos misturam rock'n'roll com psicodelia e regionalismo. "Dê um rolê", faixa de abertura, ilustra muito bem o caso e tem intro feita com sanfona típica do forró nordestino, depois o arranjo cresce e entram guitarras um tanto progressivas que lembram bandas de rock como Pink Floyd, acrescenta-se a isso uma flauta que remete aos sons do Jethro Tull e está aí formada uma música envolvente em cada detalhe. A letra magicamente ilustra sonhos de uma época que passou, mas ainda digo que sou amor da cabeça aos pés, apesar de as vezes duvidar que a vida é boa.
Duas coisas que merecem ser pontuadas são a participação do grupo "A Cor do Som" que acrescenta brilhantismo às músicas e a capa do compacto, que faz alusão a Jesus Cristo e o Juízo Final, mas aqui mora o final do juízo.

01 - Dê Um Role
02 - Você Me Da Um Disco?
03 - Caminho De Pedro
04 - Risque

terça-feira, 21 de junho de 2011

2011 - The Decemberists - The King Is Dead


The King Is Dead é o sexto álbum da banda de folk rock The Decemberists. Neste trabalho, eles optaram por instrumentações mais próximas ao acústico e as melodias são quase ensolaradas, algo que parece ser raro na carreira dos caras. Para gravar este disco, eles refugiaram-se por dois meses e meio numa fazenda em Oregon e os ares do campo parecem soprar em algumas canções.
O título do disco remete a outro famoso álbum, o The Queen Is Dead dos Smiths, mas o cabeça da banda, Colin Meloy, logo explica que a principal referência é outra: R.E.M., e Peter Buck (guitarrista do R.E.M.), faz participação especial em três faixas.
Fica aí sugestão de som para ensolarar dias deste inverno que promete ser o mais frio das últimas temporadas.
Ah, o video que postei ontem, tem como trilha sonora a faixa "Rox In The Box".

01 - Don't Carry It All
02 - Calamity Song
03 - Rise To Me
04 - Rox In The Box
05 - January Hymn
06 - Down By The Water
07 - All Arise!
08 - June Hymn
09 - This Is Why We Fight
10 - Dear Avery

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Volta por aí

Coisa linda...

Carving the Mountains from Juan Rayos on Vimeo.


"Velho, vai por mim. andar de skate lava a alma!"
Abração pra vc, Carlos Jr.!
(e começo a acreditar nessa história do skate...)

Desejo Amor

Vivi nove anos inteiros ontem.
"- Ó vida futura! nós te criaremos"





Carinhosamente, dedico esta postagem a Maria Fernanda, Patrícia e Raquel. Também desejo amor a vocês todas.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

2006 - Francis Hime - Arquitetura da Flor


"Arquitetura da Flor" é daqueles discos que começam a envolver por capa e título. Lembro-me de minha adolescência e de incontáveis CDs que comprei por conta de título inusitado ou desenho bem feito. Fato é que muitas vezes, o que parecia interessante, transforma-se em profunda decepção. Felizmente, neste caso, ouvir o disco revela-se experiência ainda mais inquietante. A sugestão de associar flor e planejamento (arquitetura), soou-me confusa e sem cabimento. Como misturar rosas e concreto? Como planejar forma de planta que vai brotar?
Felizmente, Hime vem sugerir algumas intepretações com seus timbres, palavras e versos pra lá de passionais. Neste disco em que assume tom confessional, Francis foca em melodias e hamonias, deixando para trás uma das marcas registradas de seus trabalhos: a grandiosidade orquestral. Nesta contundente confissão, não param de brotar sugestivas palavras como saudade, sofrer, adeus, sonhador, vida, morte, fúria, solidão, chegada, partida etc. Fico com impressão de ouvir um coração descompassado que tenta recompor frustrada história de amor e a partir daí, a idéia de arquitetar uma flor faz sentido, pois seria esse o método adotado por Francis para reescrever amargo passado com leves e envolventes melodias.
Para finalizar, vale destacar os músicos envolvidos no projeto: Ricardo Silveira (guitarra e violão), Jorge Helder (baixo), Kiko Freitas e Téo Lima (bateria), Marcelo Costa (Percussão), Vittor Santos (trombone), Jessé Sadoc (trompete), Marcelo Martins (sax e flauta), Hugo Pilger (violoncelo), Cristiano Alves (clarineta).
Disco para ser ouvido em cada detalhe e calmamente digerido.

01 - A invenção da rosa
02 - Gozos da alma
03 - Sem saudade
04 - Palavras cruzadas
05 - A musa da TV
06 - Desacalanto
07 - Do amor alheio
08 - A dor a mais
09 - Mais-que-imperfeito
10 - Cadê
11 - História de amor
12 - O mar do amor total

terça-feira, 14 de junho de 2011

2011 - Tonho Crocco - O Lado Brilhante da Lua


Hoje, no SESC Pompéia Chopperia (com entrada grátis), Tonho Crocco (ex-vocalista da banda Ultramen) lança seu primeiro disco solo, "O Lado Brilhante da Lua". Mais informações pelo site de Tonho, neste link. O músico explica que a idéia para o título do trabalho surgiu por ele ser fã de "The Dark Side of The Moon", mas ao contrário do referido álbum, aqui a proposta é fazer o oposto. Canções animadas e menos introspectivas são a tônica de "O Lado Brilhante da Lua".
Crocco passeia por alguns ritmos, como afrobeat e samba, mas a base do disco está num soul com elementos pop. Arranjos contam com metais, guitarra, teclado, bateria em pegadas cheias de groove e suingue. Fica nítido o cuidado com detalhes da produção, haja vista a masterização feita no Abbey Road Studio de Londres.
Taí sugestão de programa para quem está em Sampa.

01 - MoMo King Intro
02 - O Lado Brilhante da Lua
03 - Abre Alas (O Carro Destemido)
04 - Teto Solar
05 - Réu Primario
06 - O Conjunto da Obra
07 - Quadratura
08 - Doce Amargo
09 - Samba da Gamboa
10 - Árida Saudade

sexta-feira, 10 de junho de 2011

2006 - Forro In The Dark


Forro In The Dark é banda formada por brasileiros radicados em Nova Iorque. A proposta é fazer releitura do forró com roupagem contemporânea. Não consegui pesquisar maiores detalhes sobre a banda e especificidades do disco em questão (infelizmente, sequer ficha técnica encontrei), mas tenho impressão de que este é o primeiro deles. Aqui os caras ainda estão mais "presos" aos clássicos do forró e não ousam tanto nos arranjos como em discos um pouco mais recentes.
A seleção das músicas para este disco foi acertadíssima e conta com nomes do calibre de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro. A faixa de abertura é obrigatória em qualquer forró pé-de-serra de qualidade: "Xote das meninas" (forrozeiras, por gentileza corrijam-me se estiver enganado), é música que agita o salão e todo mundo sabe a letra de cor; "Assum preto" tem aqui versão instrumental em que sanfona faz condução e os outros instrumentos vêm atrás a encher a música de cores; "Sabiá" tem arranjo "minimalista" que por vezes fico confuso e não sei se estou ouvindo jazz, tango ou forró e por aí vamos passeando por pistas de dança mundo afora. Não a toa os caras conquistaram os gringos.
Fica aí boa sugestão de som para você colocar em seu arraiá e dar uma arrojada na festinha (sugiro também um cadin de quentão!).

01 - Xote das meninas
02 - Assum Preto
03 - Vou de tutano
04 - Sabiá
05 - Pau de Arara
06 - A volta da Asa Branca - São João na roça
07 - Estrada de Canindé
08 - Pagode russo
09 - Boiadeiro
10 - Feira de Mangaio


BAIXE AQUI "FORRO IN THE DARK"!!! (4Shared) - link de outro blog

quinta-feira, 9 de junho de 2011

2011 - Tiê - A Coruja e O Coração


A Coruja e O Coração é o segundo disco de Tiê, artista de doce voz que canta um monte de balada beirando o juvenil, cheia de coloridos. Talvez seja o momento dela, que já abre o álbum com canção inspirada na filha recém-nascida: "Na Varanda da Liz" é alegre canção primaveril em que de piano, bateria, guitarra e voz brotam as primeiras flores do disco.
Na seqüência do trabalho, a cantora e compositora interpreta não apenas músicas suas, mas também de músicos da nova geração, tais como Mapa-Múndi, do Thiago Pethit, em que ela consegue tirar parte da gravidade da letra, inserindo leve melodia e Só Sei Dançar Com Você da Tulipa Ruiz. Ela também ousa gravar "Você Não Vale Nada", hit de recente telenovela e imprime tons de brega televisivo apoiada em violões espanhóis e ritmo de música cigana.
Neste álbum em que não faltam vivas tonalidades, destaque fica para arranjos que denotam maturidade na produção. Em faixas como "Pra Alegrar Meu Dia", a instrumentação conta com violões com cordas de aço, banjo e cadência típica que levam-nos ao universo country. "Perto e Distante" já tem clima mais introspectivo, em que para acentuar a gravidade da letra, entra classudo trompete dando certa dureza ao canto de Tiê.
Gosto muito da faixa que encerra o disco. Em clima intimista, "Te Mereço" conta com piano, cello e voz que envolvem de tal forma que deixam sensação de afagados ganhos em meio à madrugada.

01 - Na Varanda Da Liz
02 - Só Sei Dançar Com Você
03 - Piscar o Olho
04 - Perto e Distante (part. Jorge Drexler)
05 - Pra Alegrar o Meu Dia
06 - Já é Tarde
07 - Mapa-Múndi
08 - For You And For Me
09 - Hide And Seek
10 - Você Não Vale Nada
11 - Te Mereço

quarta-feira, 8 de junho de 2011

2010 - Thiago Pethit - Berlim, Texas


Thiago Pethit é músico com raízes no teatro. Filho de atores, o palco sempre fez parte de seu contexto artístico e isso fica evidente no trabalho. "Berlim, Texas" é disco repleto de imagens musicais que nos remetem para locais diversos. Por vezes, a sensação é de que somos platéia de algum picadeiro de circo, em outros momentos fica a impressão de estarmos bebendo drink em algum whisky bar texano ou cabaré de Berlim nos anos 20.
Me parece que Thiago quis levarmo-nos para passeio pelas mais diversas paisagens sempre tendo como pano de fundo denso arcabouço melancólico. Não importa por onde passamos com ele, fica sempre sensação de falta e desejo de que a figura amada magicamente apareça em algum momento ou lugar inesperado. Estaria ele dizendo que não importa de onde somos ou viemos, a dor é a mesma? Ou estaria ele convidando-nos a juntos percorrer caminhos de procura à sua amada?
Se nas letras Thiago talvez peque ao exagerar na sensação de incompletude e abandono, os arranjos, por outro lado, são felizes acertos. Piano ditando ritmo e cadência em faixas como "Mapa-Múndi", "Don't Go Away" e "Voix de Ville". Em meio à profunda desolação de "Fuga n°1", quando Thiago diz que faz as malas e some, sempre com o desejo de ser reencontrado por seu amor, entra acordeon que logo à primeira nota, com cortante timbre, explicita dor que as vezes com palavras não conseguimos.
"Nightwalker" é o típico ritmo folk em que Thiago faz interessante intro com palmas, mas a onda indie lembra-me sábia definição de grande amigo: "quanto mais diferente tentam parecer, mais iguais ficam" e ao ouvir referida faixa, não sei se quem toca é Feist, Cat Power, Arctic Monkeys, Strokes ou alguma outra dessas bandas alternativóides.

01 - Não Se Vá
02 - Mapa-Múndi
03 - Forasteiro
04 - Sweet Funny Melody
05 - Voix De Ville
06 - Fuga N°1
07 - Outra Canção Tristonha
08 - Birdhouse
09 - Nightwalker
10 - White Hat
11 - Don´t Go Away

sexta-feira, 3 de junho de 2011

O Galope Mais Triste da Cidade

Ontem, voltar do trabalho para casa em Vitória foi difícil missão. A cidade parou por conta de confronto entre estudantes e polícia. O galope dos cavalos da polícia montada em meio ao asfalto da cidade foi triste cadência a machucar meu coração (desculpe ser piegas, mas é isso). Tenho certeza que tamanha truculência não era necessária.
Hoje, lendo o KibeLoco, soube que no dia 22 de maio deste ano, a cidade norteamericana Grand Rapids também parou. Motivo nobre, porém. Após ser classificada por certa revista semanal como "moribunda", os moradores deram resposta em forma de videoclipe com esta linda canção do Don McLean.
Fiquei com inveja dos moradores de Grand Rapids e vergonha da polícia militar do espírito santo.


quinta-feira, 2 de junho de 2011

2001 - Mario Adnet - Moacir Santos: Ouro Negro


"Ouro Negro" é celebração de gala ao trabalho de Moacir Santos. Encontramos aqui memorável retrospectiva da carreira deste que talvez tenha sido o mais importante maestro brasileiro. Todas as músicas seguem arranjos originalmente escritos por Moacir para os discos "Coisas" (1965), "Maestro" (1972) e "Carnival of The Spirits" (1975).
Além dos excelentes músicos integralmente envolvidos no projeto (Jessé Sadoc - Trompete; Vitor Santos - Trombone; Ricardo Silveira - Guitarra; Nailor Proveta - Clarinete; Mario Adnet - Violão etc), outros grandes nomes da música brasileira acrescentam brilhantismo ao trabalho. Milton Nascimento magistralmente interpreta "Coisa N° 8 - Navegação" (uma das minhas favoritas do disco); Ed Motta suinga cheio de veneno em "Orfeu (Quiet Carnival)"; Djavan e Moacir Santos espalham leveza, doçura e sonho bom em "Sou Eu"; Gilberto Gil põe categoria em "Maracatu, Nação do Amor (April Child)" e por aí vamos nesta merecidíssima homenagem ao grande Moacir.
A Petrobras viabilizou a elaboração desta complexa obra-prima e alguns críticos brincaram que a única coisa ruim do disco era o título, pois "Ouro Negro" faz alusão direta ao bem de capital que tornou possível a materialização desta pérola. Até acho que ele é bem sugestivo. Assim como na extração do petróleo brasileiro, a matéria bruta aqui contida teve que ser extraída das mais altas profundezas, como bem ilustra o caso de alguns arranjos das músicas do disco "Coisas", que não foram encontrados e Adnet precisou de longa pesquisa para reescrevê-los.

CD 01
01 - Coisa No. 5 - Nanã
02 - Suk-cha
03 - Coisa No. 6
04 - Coisa No. 8 - Navegação
05 - Amphibious
06 - Mãe Iracema
07 - Coisa No. 1
08 - Sou Eu
09 - Bluishmen
10 - Kathy
11 - Kamba
12 - Coisa No. 9
13 - Orfeu (Quiet Carnival)
14 - Amalgamation

CD 02

01 - Coisa No. 7
02 - Coisa No. 2
03 - Lamento Astral (Astral Whine)
04 - Maracatu, Nação Do Amor (April Child)
05 - Coisa No. 4
06 - Coisa No. 10
07 - Jequié
08 - Oduduá (What's My Name)
09 - Coisa No. 3
10 - Anon
11 - Quermesse
12 - De Repente, Estou Feliz (Haply Happy)
13 - Maracatucutê
14 - Bodas De Prata Dourada

Quiet Dawn

Certas madrugadas despertam sonhos, timbres e desejos.
Nesta, veio "Quiet Dawn". Faixa de abertura do disco "One Offs, Remixes & B-Sides", que postei há algum tempo.