quinta-feira, 30 de junho de 2011

2003 - Los Hermanos - Ventura


Dia desses, uma amiga falou-me sobre disco que ouviu muito em determinada fase da vida e que apesar de gostar, achava que não seria capaz de escutá-lo novamente. Comentei que talvez, no futuro, uma ou duas faixas voltassem a fazer total sentido. Não sei se por força dessa conversa ou das circunstâncias, reencontrei-me com Ventura, primeiro álbum dos Los Hermanos a conquistar-me (e de maneira avassaladora, confesso). Lembro de ficar encantado com a mescla de rock com arranjos bem elaborados contando com metais, teclados, sintetizadores e cadências não tão óbvias.
Engraçado voltar a ouvir certas coisas seis anos depois. Algumas implicâncias continuam, ainda não consigo digerir "Cara Estranho", por exemplo. Por outro lado, devo ressaltar o lirismo do olhar de Camelo. Algumas letras tiveram fonte de inspiração em notícias de jornal (Conversa de Botas Batidas), televisão (O Vencedor) e outros discos. Se antes, o que mais chamava-me atenção era a forma quase ingênua, autêntica e cheia de suingue das canções do Amarante (coisa linda é a paixão na terceira idade narrada na faixa "Último Romance"), hoje o que me toca é a doce forma de encarar as durezas da vida e caminhar sonhando com sereno reencontro em que Camelo envolve-nos com "Além do que se vê".

01 - Samba a Dois
02 - O Vencedor
03 - Tá Bom
04 - Último Romance
05 - Do Sétimo Andar
06 - A Outra
07 - Cara Estranho
08 - O Velho e o Moço
09 - Além do que se vê
10 - O pouco que sobrou
11 - Conversa de Botas Batidas
12 - Deixa o Verão
13 - Do Lado de Dentro
14 - Um Par
15 - De Onde Vem a Calma


"é preciso força pra sonhar e perceber que a estrada vai além do que se vê"

terça-feira, 28 de junho de 2011

Ausência


Caros leitores, hoje compartilho um pouco mais dos sábios versos de Drummond.
Não resisti e acrescentei um desenho do Calvin!

Ausência
(Carlos Drummond de Andrade)

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

1971 - Novos Baianos & Baby Consuelo - No Final do Juízo


Em 1971, "Novos Bahianos" e Baby Consuelo lançaram o single No Final do Juízo. Aqui, a sonoridade das canções é o que mais chama atenção. Os músicos misturam rock'n'roll com psicodelia e regionalismo. "Dê um rolê", faixa de abertura, ilustra muito bem o caso e tem intro feita com sanfona típica do forró nordestino, depois o arranjo cresce e entram guitarras um tanto progressivas que lembram bandas de rock como Pink Floyd, acrescenta-se a isso uma flauta que remete aos sons do Jethro Tull e está aí formada uma música envolvente em cada detalhe. A letra magicamente ilustra sonhos de uma época que passou, mas ainda digo que sou amor da cabeça aos pés, apesar de as vezes duvidar que a vida é boa.
Duas coisas que merecem ser pontuadas são a participação do grupo "A Cor do Som" que acrescenta brilhantismo às músicas e a capa do compacto, que faz alusão a Jesus Cristo e o Juízo Final, mas aqui mora o final do juízo.

01 - Dê Um Role
02 - Você Me Da Um Disco?
03 - Caminho De Pedro
04 - Risque

terça-feira, 21 de junho de 2011

2011 - The Decemberists - The King Is Dead


The King Is Dead é o sexto álbum da banda de folk rock The Decemberists. Neste trabalho, eles optaram por instrumentações mais próximas ao acústico e as melodias são quase ensolaradas, algo que parece ser raro na carreira dos caras. Para gravar este disco, eles refugiaram-se por dois meses e meio numa fazenda em Oregon e os ares do campo parecem soprar em algumas canções.
O título do disco remete a outro famoso álbum, o The Queen Is Dead dos Smiths, mas o cabeça da banda, Colin Meloy, logo explica que a principal referência é outra: R.E.M., e Peter Buck (guitarrista do R.E.M.), faz participação especial em três faixas.
Fica aí sugestão de som para ensolarar dias deste inverno que promete ser o mais frio das últimas temporadas.
Ah, o video que postei ontem, tem como trilha sonora a faixa "Rox In The Box".

01 - Don't Carry It All
02 - Calamity Song
03 - Rise To Me
04 - Rox In The Box
05 - January Hymn
06 - Down By The Water
07 - All Arise!
08 - June Hymn
09 - This Is Why We Fight
10 - Dear Avery

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Volta por aí

Coisa linda...

Carving the Mountains from Juan Rayos on Vimeo.


"Velho, vai por mim. andar de skate lava a alma!"
Abração pra vc, Carlos Jr.!
(e começo a acreditar nessa história do skate...)

Desejo Amor

Vivi nove anos inteiros ontem.
"- Ó vida futura! nós te criaremos"





Carinhosamente, dedico esta postagem a Maria Fernanda, Patrícia e Raquel. Também desejo amor a vocês todas.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

2006 - Francis Hime - Arquitetura da Flor


"Arquitetura da Flor" é daqueles discos que começam a envolver por capa e título. Lembro-me de minha adolescência e de incontáveis CDs que comprei por conta de título inusitado ou desenho bem feito. Fato é que muitas vezes, o que parecia interessante, transforma-se em profunda decepção. Felizmente, neste caso, ouvir o disco revela-se experiência ainda mais inquietante. A sugestão de associar flor e planejamento (arquitetura), soou-me confusa e sem cabimento. Como misturar rosas e concreto? Como planejar forma de planta que vai brotar?
Felizmente, Hime vem sugerir algumas intepretações com seus timbres, palavras e versos pra lá de passionais. Neste disco em que assume tom confessional, Francis foca em melodias e hamonias, deixando para trás uma das marcas registradas de seus trabalhos: a grandiosidade orquestral. Nesta contundente confissão, não param de brotar sugestivas palavras como saudade, sofrer, adeus, sonhador, vida, morte, fúria, solidão, chegada, partida etc. Fico com impressão de ouvir um coração descompassado que tenta recompor frustrada história de amor e a partir daí, a idéia de arquitetar uma flor faz sentido, pois seria esse o método adotado por Francis para reescrever amargo passado com leves e envolventes melodias.
Para finalizar, vale destacar os músicos envolvidos no projeto: Ricardo Silveira (guitarra e violão), Jorge Helder (baixo), Kiko Freitas e Téo Lima (bateria), Marcelo Costa (Percussão), Vittor Santos (trombone), Jessé Sadoc (trompete), Marcelo Martins (sax e flauta), Hugo Pilger (violoncelo), Cristiano Alves (clarineta).
Disco para ser ouvido em cada detalhe e calmamente digerido.

01 - A invenção da rosa
02 - Gozos da alma
03 - Sem saudade
04 - Palavras cruzadas
05 - A musa da TV
06 - Desacalanto
07 - Do amor alheio
08 - A dor a mais
09 - Mais-que-imperfeito
10 - Cadê
11 - História de amor
12 - O mar do amor total

terça-feira, 14 de junho de 2011

2011 - Tonho Crocco - O Lado Brilhante da Lua


Hoje, no SESC Pompéia Chopperia (com entrada grátis), Tonho Crocco (ex-vocalista da banda Ultramen) lança seu primeiro disco solo, "O Lado Brilhante da Lua". Mais informações pelo site de Tonho, neste link. O músico explica que a idéia para o título do trabalho surgiu por ele ser fã de "The Dark Side of The Moon", mas ao contrário do referido álbum, aqui a proposta é fazer o oposto. Canções animadas e menos introspectivas são a tônica de "O Lado Brilhante da Lua".
Crocco passeia por alguns ritmos, como afrobeat e samba, mas a base do disco está num soul com elementos pop. Arranjos contam com metais, guitarra, teclado, bateria em pegadas cheias de groove e suingue. Fica nítido o cuidado com detalhes da produção, haja vista a masterização feita no Abbey Road Studio de Londres.
Taí sugestão de programa para quem está em Sampa.

01 - MoMo King Intro
02 - O Lado Brilhante da Lua
03 - Abre Alas (O Carro Destemido)
04 - Teto Solar
05 - Réu Primario
06 - O Conjunto da Obra
07 - Quadratura
08 - Doce Amargo
09 - Samba da Gamboa
10 - Árida Saudade

sexta-feira, 10 de junho de 2011

2006 - Forro In The Dark


Forro In The Dark é banda formada por brasileiros radicados em Nova Iorque. A proposta é fazer releitura do forró com roupagem contemporânea. Não consegui pesquisar maiores detalhes sobre a banda e especificidades do disco em questão (infelizmente, sequer ficha técnica encontrei), mas tenho impressão de que este é o primeiro deles. Aqui os caras ainda estão mais "presos" aos clássicos do forró e não ousam tanto nos arranjos como em discos um pouco mais recentes.
A seleção das músicas para este disco foi acertadíssima e conta com nomes do calibre de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro. A faixa de abertura é obrigatória em qualquer forró pé-de-serra de qualidade: "Xote das meninas" (forrozeiras, por gentileza corrijam-me se estiver enganado), é música que agita o salão e todo mundo sabe a letra de cor; "Assum preto" tem aqui versão instrumental em que sanfona faz condução e os outros instrumentos vêm atrás a encher a música de cores; "Sabiá" tem arranjo "minimalista" que por vezes fico confuso e não sei se estou ouvindo jazz, tango ou forró e por aí vamos passeando por pistas de dança mundo afora. Não a toa os caras conquistaram os gringos.
Fica aí boa sugestão de som para você colocar em seu arraiá e dar uma arrojada na festinha (sugiro também um cadin de quentão!).

01 - Xote das meninas
02 - Assum Preto
03 - Vou de tutano
04 - Sabiá
05 - Pau de Arara
06 - A volta da Asa Branca - São João na roça
07 - Estrada de Canindé
08 - Pagode russo
09 - Boiadeiro
10 - Feira de Mangaio


BAIXE AQUI "FORRO IN THE DARK"!!! (4Shared) - link de outro blog

quinta-feira, 9 de junho de 2011

2011 - Tiê - A Coruja e O Coração


A Coruja e O Coração é o segundo disco de Tiê, artista de doce voz que canta um monte de balada beirando o juvenil, cheia de coloridos. Talvez seja o momento dela, que já abre o álbum com canção inspirada na filha recém-nascida: "Na Varanda da Liz" é alegre canção primaveril em que de piano, bateria, guitarra e voz brotam as primeiras flores do disco.
Na seqüência do trabalho, a cantora e compositora interpreta não apenas músicas suas, mas também de músicos da nova geração, tais como Mapa-Múndi, do Thiago Pethit, em que ela consegue tirar parte da gravidade da letra, inserindo leve melodia e Só Sei Dançar Com Você da Tulipa Ruiz. Ela também ousa gravar "Você Não Vale Nada", hit de recente telenovela e imprime tons de brega televisivo apoiada em violões espanhóis e ritmo de música cigana.
Neste álbum em que não faltam vivas tonalidades, destaque fica para arranjos que denotam maturidade na produção. Em faixas como "Pra Alegrar Meu Dia", a instrumentação conta com violões com cordas de aço, banjo e cadência típica que levam-nos ao universo country. "Perto e Distante" já tem clima mais introspectivo, em que para acentuar a gravidade da letra, entra classudo trompete dando certa dureza ao canto de Tiê.
Gosto muito da faixa que encerra o disco. Em clima intimista, "Te Mereço" conta com piano, cello e voz que envolvem de tal forma que deixam sensação de afagados ganhos em meio à madrugada.

01 - Na Varanda Da Liz
02 - Só Sei Dançar Com Você
03 - Piscar o Olho
04 - Perto e Distante (part. Jorge Drexler)
05 - Pra Alegrar o Meu Dia
06 - Já é Tarde
07 - Mapa-Múndi
08 - For You And For Me
09 - Hide And Seek
10 - Você Não Vale Nada
11 - Te Mereço

quarta-feira, 8 de junho de 2011

2010 - Thiago Pethit - Berlim, Texas


Thiago Pethit é músico com raízes no teatro. Filho de atores, o palco sempre fez parte de seu contexto artístico e isso fica evidente no trabalho. "Berlim, Texas" é disco repleto de imagens musicais que nos remetem para locais diversos. Por vezes, a sensação é de que somos platéia de algum picadeiro de circo, em outros momentos fica a impressão de estarmos bebendo drink em algum whisky bar texano ou cabaré de Berlim nos anos 20.
Me parece que Thiago quis levarmo-nos para passeio pelas mais diversas paisagens sempre tendo como pano de fundo denso arcabouço melancólico. Não importa por onde passamos com ele, fica sempre sensação de falta e desejo de que a figura amada magicamente apareça em algum momento ou lugar inesperado. Estaria ele dizendo que não importa de onde somos ou viemos, a dor é a mesma? Ou estaria ele convidando-nos a juntos percorrer caminhos de procura à sua amada?
Se nas letras Thiago talvez peque ao exagerar na sensação de incompletude e abandono, os arranjos, por outro lado, são felizes acertos. Piano ditando ritmo e cadência em faixas como "Mapa-Múndi", "Don't Go Away" e "Voix de Ville". Em meio à profunda desolação de "Fuga n°1", quando Thiago diz que faz as malas e some, sempre com o desejo de ser reencontrado por seu amor, entra acordeon que logo à primeira nota, com cortante timbre, explicita dor que as vezes com palavras não conseguimos.
"Nightwalker" é o típico ritmo folk em que Thiago faz interessante intro com palmas, mas a onda indie lembra-me sábia definição de grande amigo: "quanto mais diferente tentam parecer, mais iguais ficam" e ao ouvir referida faixa, não sei se quem toca é Feist, Cat Power, Arctic Monkeys, Strokes ou alguma outra dessas bandas alternativóides.

01 - Não Se Vá
02 - Mapa-Múndi
03 - Forasteiro
04 - Sweet Funny Melody
05 - Voix De Ville
06 - Fuga N°1
07 - Outra Canção Tristonha
08 - Birdhouse
09 - Nightwalker
10 - White Hat
11 - Don´t Go Away

sexta-feira, 3 de junho de 2011

O Galope Mais Triste da Cidade

Ontem, voltar do trabalho para casa em Vitória foi difícil missão. A cidade parou por conta de confronto entre estudantes e polícia. O galope dos cavalos da polícia montada em meio ao asfalto da cidade foi triste cadência a machucar meu coração (desculpe ser piegas, mas é isso). Tenho certeza que tamanha truculência não era necessária.
Hoje, lendo o KibeLoco, soube que no dia 22 de maio deste ano, a cidade norteamericana Grand Rapids também parou. Motivo nobre, porém. Após ser classificada por certa revista semanal como "moribunda", os moradores deram resposta em forma de videoclipe com esta linda canção do Don McLean.
Fiquei com inveja dos moradores de Grand Rapids e vergonha da polícia militar do espírito santo.


quinta-feira, 2 de junho de 2011

2001 - Mario Adnet - Moacir Santos: Ouro Negro


"Ouro Negro" é celebração de gala ao trabalho de Moacir Santos. Encontramos aqui memorável retrospectiva da carreira deste que talvez tenha sido o mais importante maestro brasileiro. Todas as músicas seguem arranjos originalmente escritos por Moacir para os discos "Coisas" (1965), "Maestro" (1972) e "Carnival of The Spirits" (1975).
Além dos excelentes músicos integralmente envolvidos no projeto (Jessé Sadoc - Trompete; Vitor Santos - Trombone; Ricardo Silveira - Guitarra; Nailor Proveta - Clarinete; Mario Adnet - Violão etc), outros grandes nomes da música brasileira acrescentam brilhantismo ao trabalho. Milton Nascimento magistralmente interpreta "Coisa N° 8 - Navegação" (uma das minhas favoritas do disco); Ed Motta suinga cheio de veneno em "Orfeu (Quiet Carnival)"; Djavan e Moacir Santos espalham leveza, doçura e sonho bom em "Sou Eu"; Gilberto Gil põe categoria em "Maracatu, Nação do Amor (April Child)" e por aí vamos nesta merecidíssima homenagem ao grande Moacir.
A Petrobras viabilizou a elaboração desta complexa obra-prima e alguns críticos brincaram que a única coisa ruim do disco era o título, pois "Ouro Negro" faz alusão direta ao bem de capital que tornou possível a materialização desta pérola. Até acho que ele é bem sugestivo. Assim como na extração do petróleo brasileiro, a matéria bruta aqui contida teve que ser extraída das mais altas profundezas, como bem ilustra o caso de alguns arranjos das músicas do disco "Coisas", que não foram encontrados e Adnet precisou de longa pesquisa para reescrevê-los.

CD 01
01 - Coisa No. 5 - Nanã
02 - Suk-cha
03 - Coisa No. 6
04 - Coisa No. 8 - Navegação
05 - Amphibious
06 - Mãe Iracema
07 - Coisa No. 1
08 - Sou Eu
09 - Bluishmen
10 - Kathy
11 - Kamba
12 - Coisa No. 9
13 - Orfeu (Quiet Carnival)
14 - Amalgamation

CD 02

01 - Coisa No. 7
02 - Coisa No. 2
03 - Lamento Astral (Astral Whine)
04 - Maracatu, Nação Do Amor (April Child)
05 - Coisa No. 4
06 - Coisa No. 10
07 - Jequié
08 - Oduduá (What's My Name)
09 - Coisa No. 3
10 - Anon
11 - Quermesse
12 - De Repente, Estou Feliz (Haply Happy)
13 - Maracatucutê
14 - Bodas De Prata Dourada

Quiet Dawn

Certas madrugadas despertam sonhos, timbres e desejos.
Nesta, veio "Quiet Dawn". Faixa de abertura do disco "One Offs, Remixes & B-Sides", que postei há algum tempo.

terça-feira, 31 de maio de 2011

1976 - Edu Lobo - Limite das Águas


Ouço este disco e escuto um Edu náufrago. Perdido em mares de desilusão e guiado pela bússola da esperança, Lobo parece procurar forças para acreditar que o amor pode renascer. A primeira faixa evidencia esse sentimento [de desilusão]: "Tinha traição no caso / Tinha desengano / Tinha leva-e-trás / Um coração calado / Uma intenção partida / Um desencontro a mais". Interessante notar que até a concepção de orquestração foge um pouco dos padrões deste grande arranjador. Aqui, os diálogos mais interessantes estão entre instrumentos de sopro e vocais e o piano perde parte do destaque.
Os instrumentos de sopro remetem ao prenúncio de tempo de águas. Aquele vento que vira e precede chuva que invade o disco junto de letras encharcadas de lirismo em que transbordam palavras como rio, mar, ondas, marinheiro, remador, navegar, destino, fruto, etc.
Como de praxe, Edu estava circundado por excelentes músicos. Dentre outros, listo Toninho Horta, Mauro Senise, Nivaldo Ornelas, Danilo Caymmi e Jacques Morelenbaum.

01 - Uma vez um caso (part. Joyce)
02 - Negro, negro
03 - Considerando
04 - Toada
05 - Gingado dobrado (nordestino)
06 - Limite das águas
07 - Cinco criancas
08 - Segue o coração
09 - Repente

sexta-feira, 27 de maio de 2011

1975 - Jorge Ben - Solta o Pavão


Em dia de festa no futebol brasileiro, resolvi também jogar confete. "Zagueiro", faixa que abre este disco de extrema qualidade e inspiração, é homenagem ao beque Rondineli em que Jorge, com a magia que lhe é peculiar, narra (com incontáveis jargões futebolísticos, claro!) as virtudes necessárias ao jogador desta ingrata posição.
Os encantos de "Solta o Pavão" não param por aí. Arranjos venenosos inserem piano (e piano elétrico), flautas, vozes, violão, orquestra de cordas, arp strings, baixo e bateria e dão às músicas tom de realeza caindo na folia (assim como hoje).
Com rara beleza e certo misticismo, elegantemente Jorge conduz sua trupe para fazer ousado e imperdível disco. "Jorge de Capadócia" tem aqui registro definitivo e arrepiante, quando com quase um minuto de música, ele insere quebra de entortar ouvidos e "recomeça" a música com fascinante piano elétrico. Outros clássicos também nasceram aqui: "Se segura malando" e "Dumingaz" são alguns exemplos.
"Velhos, Flores, Criancinhas e Cachorros" é linda oração em que Ben docilmente pede misericórdia e sabedoria ao Nosso Senhor para fazer dele um enviado para salvar velhos, flores, criancinhas e cachorros. Estou certo que conseguiu salvar muito mais que isso.

01 - Zagueiro
02 - Assim Falou Santo Tomaz De Aquino
03 - Velhos, Flores, Criancinhas e Cachorros
04 - Dorothy
05 - Cuidado Com O Bulldog
06 - Para Ouvir No Rádio (Luciana)
07 - O Rei Chegou, Viva O Rei
08 - Jorge De Capadócia
09 - Se Segura Malandro
10 - Dumingaz
11 - Luz Polarizada
12 - Jesualda


Afetuosamente, dedico este post ao Calheiros e ao Tonico, que brindaram-me com belíssimos emails neste dia de festa!

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Lançamento CD "IO" - Sérgio Benevenuto


Boa sugestão para quem está em Vitória hoje é ir ao Bar Twins e participar da festa de lançamento do CD "IO", de Sérgio Benevenuto. Tive oportunidade de ouvir o disco e recomendo.

2008 - Sérgio Benevenuto - Onde Andará Ruff Cutz?


Situo o leitor com transcrição de trecho do release de Benevenuto. "(...)tem como parceiro um banco de loops de bateria chamado Ruff Cutz, uma paródia a 'rough cuts' ('takes toscos' ou 'cortes toscos'), gravados por um músico holandês descoberto em suas pesquisas [de Sérgio] na internet."
Sérgio Benevenuto, produtor musical, professor, arranjador e músico, após longa caminhada nos bastidores da música, lançou seu primeiro disco em 2008. Com interessante proposta de fazer disco "cinematográfico" em que melodias facilmente convertem-se em imagens, recrutou competentes músicos para gravar "Por Onde Andará Ruff Cutz". A intenção foi fazer disco de malemolente pegada em que os artistas estariam livres para suingar, não muito presos a script pré-estabelecido. Por considerar-se mais arranjador e produtor, Sérgio empenhou maior esforço em arranjos e melodias ao invés de virtuose em solos de instrumentos.
Ouço "Ruff Cutz" e tenho impressão de ver Sérgio passeando dentro do universo musical que o circula. É obra do artista olhando para fora, como bem ilustra a capa, a procura está pelas ruas de suas cidades .
Gosto muito do diálogo entre duas vozes nas faixas "As Franjas do Vestido de Sônia" (flauta em sol que me remete às praias de Los Angeles de um lado e trompete de noites de jazz em NY do outro) e "O Suingue do Menino no Molejo Dela", repletas de cadência jazzística e interessante suingue. Destaco também a faixa "Cores da Alma" que tem pegada intimista e belíssima instrumentação.

01 - Ocrópteros
02 - As Franjas do Vestido de Sônia
03 - De Repente na Cidade Tour
04 - Cores da Alma
05 - Mas a Parada é Dupla
06 - Absinto
07 - Kalma Lá,Vizim
08 - Mania de Perseguição
09 - O Suingue do Menino no Molejo Dela
10 - Onde Andará Ruff Cutz?

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Aquarela

terça-feira, 24 de maio de 2011

1998 - Nana Caymmi - Resposta Ao Tempo


Nana Caymmi tem o dom de emocionar com fortes e graves interpretações. "Resposta ao Tempo", música que dá título ao disco é ilustrativo exemplo. Nana passeia com densa beleza sobre história de relação entre memória, tempo e sonhos desfeitos. Impressionante como ela não perde o fôlego e imprime linda cadência nesta intensa história. Outro momento em que o disco aborda o tema tempo e memória afetiva é "Não Se Esqueça de Mim", letra de Erasmo e Roberto Carlos em que apesar de um romance acabado, permanece o desejo de que a lembrança se perpetue no coração de antigo amante: "Onde você estiver, não se esqueça de mim".
Álbum com arranjos sutis em que a banda está preparada para sustentar o brilho de Nana. Destaque para as participações de Chico Buarque, Emílio Santiago e Erasmo Carlos.

01 - Resposta Ao Tempo
02 - Até o Redentor
03 - Não Se Esqueça de Mim (part. Erasmo Carlos)
04 - Meu Sonho
05 - Cantiga
06 - Chega de Tarde
07 - Bolero de Neblina
08 - Doralinda (part. Emílio Santiago)
09 - Longe dos Olhos
10 - Saudade do Rio
11 - A Cara do Espelho
12 - Pra Machucar Meu Coração
13 - Até Pensei (part. Chico Buarque)
14 - Fascinação (Fascination)
15 - Minha Nossa Senhora

segunda-feira, 23 de maio de 2011

1978 - Edu Lobo - Camaleão


Um dos maiores talentos de Edu Lobo é a capacidade de montar arranjos com imensa qualidade. Em "Camaleão", ele passeia por diversos ritmos (forró, bossa, clássica etc) com belíssimas instrumentações, cheias de texturas muito bem elaboradas que fazem-nos passear Brasil afora e Edu adentro. Outro ponto forte deste disco é Edu Lobo harmonizar união de elegante piano com vozes do grupo Boca Livre, instrumentos de sopro e seu próprio canto.
A seleção do repertório não fica atrás e agrega ainda mais beleza à obra. "Lero Lero", faixa de abertura, não a toa virou hit e embute dentre seus elementos letra envolvente e maliciosa, cadência suingada e rica participação dos vocais do Boca Livre. A faixa seguinte, releitura de "Trenzinho do Caipira" com adendo de poema de Fereira Gullar é no mínimo marcante. "Coração Noturno" tem desconcertante união entre arranjo e letra: "Meu coração bate lento / Como se fôsse um pandeiro / Marcando meu sentimento / Retendo meu desespero", acordes melancólicos aliados a timbres cortantes despedaçam o coração do ouvinte.
Sugiro especial atenção ao piano deste disco.

01 - Lero Lero (part. Boca Livre)
02 - O Trenzinho Do Caipira (part. Boca Livre)
03 - Coração Noturno
04 - Canudos (part. Boca Livre)
05 - Camaleão
06 - Sanha Na Mandinga (part. Boca Livre)
07 - Branca Dias
08 - Bate Boca
09 - Descompasso
10 - Memórias De Marta Saré (part. Wanda Sá)

A Rosa do Povo

Caro leitor, uma vez mais abuso de tua paciência e posto poema do Drummond.
"Passagem do ano" está em "A Rosa do Povo" (livro que foi leitura obrigatória no ano em que fiz vestibular) e Drummond, com sua mágica forma de encarar as coisas, aborda assunto que o blog homenageia este ano: o tempo.

PASSAGEM DO ANO
(Carlos Drummond de Andrade)

O último dia do ano
não é o último dia do tempo.
Outros dias virão
e novas coxas e ventres te comunicarão o calor da vida.
Beijarás bocas, rasgarás papéis,
farás viagens e tantas celebrações
de aniversário, formatura, promoção, glória, doce morte com
[sinfonia e coral,
que o tempo ficará repleto e não ouvirás o clamor,
os irreparáveis uivos
do lobo, na solidão.

O último dia do tempo
não é o último dia de tudo.
Fica sempre uma franja de vida
onde se sentam dois homens.
Um homem e seu contrário,
uma mulher e seu pé,
um corpo e sua memória,
um olho e seu brilho,
uma voz e seu eco,
e quem sabe até se Deus...

Recebe com simplicidade este presente do acaso.
Mereceste viver mais um ano.
Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos séculos.
Teu pai morreu, teu avô também.
Em ti mesmo muita coisa já expirou, outras espreitam a morte,
mas estás vivo. Ainda uma vez estás vivo,
e de copo na mão
esperas amanhecer.

O recurso de se embriagar
O recurso da dança e do grito,
o recurso da bola colorida,
o recurso de Kant e da poesia,
todos eles... e nenhum resolve.

Surge a manhã de um novo ano.

As coisas estão limpas, ordenadas.
O corpo gasto renova-se em espuma.
Todos os sentidos alerta funcionam.

A boca está comendo vida.
A boca está entupida de vida.
A vida escorre da boca,
lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Poemas Brasileiros


Sexta feira passada, João Donato fez show no Teatro do Sesi que só de lembrar arrepio. Coisa linda ver aquele gênio interagindo com piano, voz e platéia.
Teremos hoje outra noite de gala. O Teatro Carlos Gomes receberá Wanderson Lopez com o show Poemas Brasileiros. Tive a alegria de estar presente na noite de lançamento do disco.
Wanderson é artista que preocupa-se com detalhes e no referido espetáculo, encantamento surge com o abrir das cortinas. Ao fundo há lindo e enorme painel de tecido (aproximadamente 12 metros de largura por 6 de altura) repleto de bordados, pinturas e colagens com balões e desenhos semelhates aos da capa do CD. Trabalho manual feito pelo próprio Wanderson Lopez com ajuda da mãe e do amigo Dan Mendonça.
Acompanhado de excelentes músicos, dentre eles os parceiros de Baobá Trio Edu Szajnbrum, baterista e percussionista de rara classe e o jovem e talentoso pianista (que hoje tocará acordeon) Fabiano Araújo (dois discos gravados e também fez memorável show de lançamento do disco O Aleph no mesmo Teatro Carlos Gomes). Também tocarão Anderson Paiva, Kako Dinelli, Pedro de Alcântara e Roger Rocha.
Esta noite, tenho certeza que viajarei com Wandinho e trupe pelas estradas que ligam Minas ao Espírito Santo e Bahía, passeando por inesperados cantos do Brasil e mundo.
Mal posso esperar!

Oração

Juvenil, besta, de mulherzinha e lindo!


PS: o video lembrou-me o de Elephant Gun do Beirut

quinta-feira, 19 de maio de 2011

1978 - Paulinho da Viola [1996 Remaster]


"Algo de muito especial ocorre então.
E não à linha da superfície, como
pode parecer a princípio.
Para alguns desses homens, o
conhecimento do instrumento se deu
muito antes: quando ele era ainda
madeira.
Ou mais: quando era uma árvore,
que descia chão a dentro até os
úmidos e escuros segredos da vida - o
mesmo chão que os pés do menino
um dia pisou.
E ainda pisa."

Depois destes fortes versos extraídos do encarte, sugiro pleno deleite do disco em que beleza brota antes mesmo dos primeiros acordes. O trabalho do luthier (pai do som dos instrumentos de corda) é registrado com bonitas palavras, poéticas imagens e lembra-nos que escolha de madeira ideal, cortes adequados, tamanhos que se encaixem com as mãos do artista são partes fundamentais do processo.
Musicalmente falando, temos aqui um Paulinho da Viola em sua plenitude que ao passear por diversas referências, brinda-nos num mesmo álbum com samba-canção, samba de roda e choro sempre com classe, leveza e maestria.
Destaque para a música de abertura, uma das muitas parcerias com Elton Medeiros, Sentimento Perdido carrega famosa sabedoria que o tempo entrega e que alguns fazem dela objeto de melancolia, tristeza ou rancor, enquanto outros vêm nos dizer "pensei que havia em mim um sentimento perdido não percebi quanto estava iludido e outra vez amei".
Feliz de quem ouve o Paulinho.

01 - Sentimento Perdido
02 - Atravessou
03 - Mudei De Opinião
04 - Coração Leviano
05 - Sofrer
06 - Uma História Diferente
07 - Cenários
08 - Pelos Vinte
09 - Apoteose ao Samba
10 - Sarau Para Radamés
11 - Nos Horizontes Do Mundo
12 - Miudinho

quarta-feira, 18 de maio de 2011

1987 - Tom Jobim - Passarim


Passarim é fruto da casa do jardim botânico. Época em que Jobim estava mais envolvido com natureza, família e amigos. Álbum em que os familiares Paulo Jobim e Jaques Morelenbaum assinam a produção. Fotografias feitas por Ana Jobim, design gráfico de Elianne Jobim e pintura da capa de Beth Jobim.
Os charmes do disco não param por aí. Outro ponto de destaque é a quantidade de frases marcantes como "My life is such a mess, let's have a Brahma" / "You look so cute there wearing my pajamas" (Chansong); "Porque você, sorrindo, é muito mais que lindo" (Bebel); "We kiss we're high, we're riders in the sky" (Isabella).
Paulo Jobim e Jaques Morelenbaum também assinam os arranjos deste disco, mas suspeito que tamanha sobriedade, beleza e encaixe conta com auxílio de um leve e experiente Antonio Carlos Jobim.

01 - Passarim
02 - Bebel
03 - Borzeguim
04 - Anos Dourados
05 - Isabella
06 - Fascinatin' Rhythm
07 - Chansong
08 - Samba do Soho
09 - Luiza
10 - Brasil Nativo
11 - Gabriela

terça-feira, 17 de maio de 2011

1970 - Elton Medeiros e o Samba de Morro - História da MPB - Vol. 46


Caindo na máxima "um tema, uma palavara", definiria Elton Medeiros com sensibilidade. A parceria com Paulinho da Viola rendeu alguns dos mais belos sambas. Músicas leves, apaixonadas e inspiradoras fazem parte do repertório da dupla.
Este disco é uma coletânea feita pela editora Abril em que diversos cantores interpretam diferentes momentos da carreira do artista. Uma breve pincelada sobre o grandioso trabalho do Elton.
Deixo a letra de "Pressentimento", que ilustra bem o que disse sobre o ilustre sambista.

Pressentimento
(Elton Medeiros)
ai! ardido peito
quem irá entender o teu segredo?
quem ira pousar em teu destino?
e depois morrer do teu amor?

ai! mas quem virá?
me pergunto a toda hora
e a resposta é o silêncio
que atravessa a madrugada

vem meu novo amor
vou deixar a casa aberta
já escuto os teus passos
procurando meu abrigo

vem, que o sol raiou
os jardins estão florindo
tudo faz pressentimento
que este é o tempo ansiado
de se ter felicidade.

01 - Rosa de Ouro (Conjunto Rosa de Ouro)
02 - Pressentimento (Elza Soares)
03 - A maioria sem nenhum (Elton Medeiros)
04 - Filosofia do samba (Candeia)
05 - Quatro crioulos (Elton Medeiros)
06 - A voz do morro (Zé Keti)
07 - Viola de massaranduba (Geraldo Babão)
08 - Casa de bamba (Martinho da Vila)
09 - Vem chegando a madrugada (Noel Rosa de Oliveira)
10 - Deixa de zanga (Candeia)


quinta-feira, 12 de maio de 2011

1975 - Jorge Ben & Gilberto Gil - Gil & Jorge, Ogum Xango


Conheci este álbum nos [nem tão saudosos] tempos de baixar mp3 via napster ou emule, não lembro bem. Recordo a enorme expectativa para ouvir a união destes dois artistas que aprecio demais. Resultado foi enorme desilusão. Disco extremamente experimental que em quase nada lembra o Gil e o Jorge aos quais estava acostumado.
Os anos passaram com aquele pré-conceito estabelecido. Alguns meses atrás, grande amigo veio falando deste disco, que é bom demais etc e talz. Não só discordei como fiz questão de trocar o som. Mas a insistência foi grande e fomos escutá-lo.
O reencontro com esta pérola fez então sentido. O entrosamento entre os dois é algo desconcertante. Arrisco dizer que este é o trabalho em que ambos ficam mais próximos à psicolodelia. Disco gravado em clima de jam session em que eles exploram riffs, melodias, ritmos e vozes de maneira libertária.
Ouço agora e entendo que a junção de Gil e Jorge merecia disco nem um pouco óbvio, afinal de contas, estamos falando de dois dos mais melódicos e inovadores músicos populares brasileiros. Ou seja, temos Gil e Jorge remexendo suas mais profundas raízes sonoras em união simbiótica.

01 - Meu glorioso São Cristovão
02 - Nega (Photograph blues)
03 - Jurubeba
04 - Quem mandou (Pé na estrada)
05 - Taj Mahal
06 - Morre o burro, fica o homem
07 - Essa é pra tocar no rádio
08 - Filhos de Gandhi
09 - Sarro


PS: Vale mencionar que Eric Clapton ouviu Gil e Jorge tocando juntos e não só ficou impressionado com o resultado como foi dos maiores incentivadores para que eles registrassem esse encontro.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

1982 - Djavan - Luz


Djavan impressiona pela força da seqüência de seus trabalhos. Luz é seu quinto disco e aqui ele mostra ter fôlego para continuar no caminho de sólidos registros musicais. Álbum gravado e produzido nos Estados Unidos a convite da gravadora CBS (futura Sony Music) e com impacto naquele mercado. Naipes como o músico e produtor Quincy Jones elogiaram o trabalho.
A música de abertura, Samurai, conta com participação especial de Stevie Wonder. Aparições especialíssimas não param por aí. Ninguém menos que Moacir Santos assina arranjo de "Capim" e Raul de Souza também está presente em "Luz" e "Capim".
Dentre diversos hits, destaque para Samurai, Sina, Açaí e Pétala. Frases como "viver é todo sacrifício feito em seu nome"; "quanto mais desejo um beijo seu, mais gosto vejo em viver"; "quanto querer cabe em meu coração" e "vai sem me dizer na casa da paixão" sugerem um Djavan apaixonado que consegue exprimir a densidade de todo esse amor com acordes leves e suingados. Audição imperdível.

01 - Samurai
02 - Luz
03 - Nobreza
04 - Capim
05 - Sina
06 - Pétala
07 - Banho de Rio
08 - Açaí
09 - Esfinge
10 - Minha Irmã

BAIXE AQUI "LUZ"!!! (MegaUpload)

terça-feira, 10 de maio de 2011

1981 - Kleiton & Kleidir


Para a difícil tarefa de definir memória e nossa relação com ela, incialmente apelo para o dicionário. Dentre elas, escolho duas: "1 Faculdade de conservar ou readquirir idéias ou imagens. 2 Lembrança, reminiscência: Memória do passado". Ainda mais complicada é a tarefa de expor as nossas. Algumas vezes, no intuito de mostrar-me um pouco mais através de disco, rua, palavra, adjetivo ou qualquer outra reminiscência, corro o risco de ser mal interpretado. Acho que é minha eterna mania de expor-me. Juro não fazer por mal, mas advogar em causa própria é também caminhar por terrenos ardilosos.
Agora o leitor pergunta a razão deste primeiro parágrafo. Este disco tem para mim enorme valor sentimental. Lembro de incontáveis manhãs de sábado em que acordei ao som de "Navega Coração", meu pai com amigos na sala e eu emburrado tomando café da manhã. Deve ser por isso que até hoje gosto de acordar cedo aos sábados, algum resquício afetivo registrado em meu inconsciente. Talvez a música represente para mim eterno refúgio para aquelas inesquecíveis e aconchegantes manhãs e daí todo meu amor por ela.
Sobre a faculdade de readquirir idéias ou imagens, exponho mais uma memória. Durante certo período de minha vida sustentei que queria navegar por mares desconhecidos. Admito que o medo desta navegação não residia no desconhecido e sim na incerteza de minha bússola, que até hoje tenho dúvidas sobre para onde ela aponta. Tenho impressão que Kleiton e Kleidir deixaram algo profundamente registrado em mim: "Desde os tempos de menino / Aprendi a navegar / Com as bússolas / Que eu mesmo inventar".
Sobre o disco em si, tem muita coisa que precisa ser dita, mas simplesmente listarei alguns músicos envolvidos no projeto: Wagner Tiso, Sivuca, Vitor Ramil, Robertinho Silva etc.

01 - Deu pra ti
02 - Lagoa dos Patos
03 - Vinheta uni duni tê
04 - Estrela, Estrela
05 - Vinheta Lagoa dos Patos
06 - Semeadura
07 - Couvert artístico
08 - Paixão
09 - Vinheta n'heco n'heco
10 - Trova
11 - Noite de São João
12 - Vinheta do Sivuca [Lagoa dos Patos]
13 - Navega coração

1972 - Caetano Veloso - Transa


Notei que este disco estava com link quebrado, o que é falta gravíssima, pois aqui está um dos álbuns do Caetano que mais gosto. Difícil percorrer faixa a faixa e dizer qual mais me agrada. O cara já entra de sola com You don't know me: "Better never get to know me", depois, em Nine out of ten: "Nine out of ten movie stars made me cry"; não satisfeito, mete na seqüência Triste Bahia, Its a long way e Mora na filosofia. Simplesmente de tirar o fôlego.
Disco repleto de referências em que Caetano lindamente passeia por diversos ritmos musicais.
Classe A!

01 - You don't know me
02 - Nine out of ten
03 - Triste Bahia
04 - It's a long way
05 - Mora na filosofia
06 - Neolithic man
07 - Nostalgia (That's what rock'n roll is all about)

sexta-feira, 6 de maio de 2011

João

"a vida é uma escola em que a gente precisa aprender a ciência de viver pra não sofrer"

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Menino a navegar

"Desde os tempos de menino
Aprendi a navegar
Com as bússolas
Que eu mesmo inventar

Hoje eu sei as armadilhas
E os segredos desse mar
Que viver não é preciso
Nem será"

A gasolina anda cara e minha leitura atrasada. Uni pão-duragem à necessidade e vim trabalhar de ônibus com livro em mãos. Deparei-me com texto do Rubem Braga em que ele fala sobre lembranças de seu tempo de menino (quem quiser o texto, favor solicitá-lo via umamusicapordia@gmail.com). Como coincidência pouca é bobagem, recebi um email com este lindo video que também trata de memórias.
continua...
(ou não)


quarta-feira, 4 de maio de 2011

2009 - Duo Moviola - O Retrato do Artista Quando Pede


Após profundas pesquisas no Wikipédia, concluí que Moviola é marca de equipamento usado na montagem e edição cinematográfica. Para descobrir o que é Duo, tive que fazer pesquisa mais profunda (não revelo minhas fontes!) e apenas afirmo que quer dizer dois.
Pois vejam só que coisa incrível. Esta dupla de dois músicos/compositores é formada por Douglas Germano e Kiko Dinucci. No trabalho eles misturam "ação, violência, drama, humor cinismo" com trilha sonora original. Segundo eles, a proposta é fazer das canções trilha sonora para os roteiros cinematográficos que são as letras. Acho que a vida desses caras parece um filme do Bruce Lee misturado com Charlie Chaplin, Hitchcock e Woody Allen.
Gostei do sarcasmo, ironia e críticas de Caderninho de Vergonhas, Mal de Percussion e O Retrato Do Artista Quando Pede. Vale uma conferida de peito aberto.

01 - Déjà Vu
02 - Por Favor
03 - Cine Star
04 - Cio
05 - Ré
06 - Agenda
07 - Macambúzio
08 - Mal De Percussion
09 - Floradas De Amor
10 - A Loira Do Banheiro
11 - Caderninho De Vergonhas
12 - O Retrato Do Artista Quando Pede

terça-feira, 3 de maio de 2011

1966 - Chico Buarque de Hollanda


Trabalho que é o pontapé inicial dado por Chico Buarque rumo a uma carreira de discos, músicas e livros de grande sucesso com o público. Já aqui, Chico mostra a força e inteligência de suas letras. Algumas canções já foram regravadas inúmeras vezes e fãs pedem em shows até hoje A Banda; A Rita e Olê Olá são alguns exemplos disso.

01 - A Banda
02 - Tem Mais Samba
03 - A Rita
04 - Ela e Sua Janela
05 - Madalena Foi Pro Mar
06 - Pedro Pedreiro
07 - Amanhã, Ninguém Sabe
08 - Você Não Ouviu
09 - Juca
10 - Olê Olá
11 - Meu Refrão
12 - Sonho De Um Carnaval

sexta-feira, 29 de abril de 2011

1955 - Frank Sinatra - In The Wee Small Hours


Dia desses, numa visita do estimado Gabriel Labanca, professor de torpedologia romântica na universidade do amor, ouvimos o disco que hoje reposto!
Gabriel gentilmente escreveu o texto a seguir.

"Meu pai não se interessa por música, livros ou filmes. Nunca o vi comentando um texto que achou interessante ou elogiando qualquer escritor. Aliás, nas poucas vezes que folheia um jornal, vai direto para os classificados. E mesmo assim é sempre um jornal alheio, por vezes antigo. Não sei se ele já sentou numa poltrona de cinema ou alugou um filme. Se o fez, foi por pura obrigação social. Aparelho de som então, só liga o do carro e mesmo assim para escutar notícias. No entanto, basta ouvir os acordes de uma canção para balbuciar a melodia, mesmo sem conhecê-la. Faz uma segunda voz ou introduz um instrumento novo na música com a boca e parece fazer isso inconscientemente, baixinho, quase imperceptível.
Certa vez, ainda adolescente, ouvi, pela primeira e única vez, ele fazer um comentário sobre música. Alguém cantava em inglês no rádio do carro e meu pai comentou com um amigo que faltava muito para aquele cantor chegar aos pés de Frank Sinatra. Sobre Sinatra só sabia que cantava músicas de velho, das quais conhecia alguns trechos dos comerciais da Som Livre. Intrigado com aquele cantor que podia tirar até o meu pai da inércia, fui pesquisar. Na época, é claro, isso não era tão fácil. Tinha de pegar um ônibus até o único shopping da cidade, escolher um CD na loja de discos e escutá-lo em pé, torcendo para que outro “cliente” não quisesse seus minutos no aparelho de som. Fiquei impressionado com o que ouvi, a potência da voz, a orquestração das músicas, e descobri que também gostava de música de velho. Saí da loja com duas coletâneas “the best of”. Uma para mim e outra de presente para o meu pai, que sequer ouviu o disco. De lá para cá, nunca deixei de escutá-lo, mesmo sem me aprofundar na história do cantor ou de suas canções, coisa que as vezes pode estragar o prazer de escutar uma música.
Recentemente, folheando alguns dos muitos mp3 disponíveis na casa do dono deste prestigioso blog, escolhi aleatoriamente um disco de Frank Sinatra. Mais especificamente uma música lindíssima que nunca tinha ouvido através de sua voz: Can't we be friends. A estrondosa introdução de Sinatra, que deixa qualquer “rapper gangsta” no chinelo, silenciou a sala de imediato e o fôlego dos ouvintes atônitos só foi retomado nos acordes finais... da segunda repetição. Episódios como esses é que nos fazem dar valor às palavras do famoso filósofo dos campos, Romário, no campeonato carioca de 1995: “Rei tem muito, mas Deus só tem um”. E Sinatra é certamente um Deus da música.*

*No entanto, como não estamos nos referindo especificamente a religiões monoteístas, sempre cabem outros Deuses no panteão da música."

01 - In The Wee Small Hours Of The Morning
02 - Mood Indigo
03 - Glad To Be Unhappy
04 - I Get Along Without You Very Well
05 - Deep In A Dream
06 - I See Your Face Before Me
07 - Can't We Be Friends?
08 - When Your Lover Has Gone
09 - What Is This Thing Called Love
10 - Last Night When We Were Young
11 - I'll Be Around
12 - Ill Wind
13 - It Never Entered My Mind
14 - Dancing On The Ceiling
15 - I'll Never Be The Same
16 - This Love Of Mine

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Poema de Maria Rosa



Certamente a música que mais emocionou-me ao ouvir ao lado de alguém.
Maria Rosa, beijo grande

terça-feira, 26 de abril de 2011

2010 - OCIO - Guilty Beat


Considero-me pessoa feliz por acompanhar de perto a evolução da banda Ócio. Lembro da fase embrionária, shows na UFES com excesso de atitude e barulho de sobra. Gostava de ver a presença de palco do vocalista Daniel Furlan e achar graça das performances barulhentas e sem nenhuma linha melódica compreensível.
Em 2006, lançaram o disco Mood Swings, que para mim, representou grande transformação da banda. Nessa época, assistir aos shows da ÓCIO já não era programa de comédia e sim certeza de ouvir bom rock. Rodrigo Larica (baixista), bom garoto que tocava em orquestras, trouxe cuidado extra com melodias.
Guilty Beat é um disco muito mais sólido, em que letras, acordes e arranjos são ainda mais limpos e inteligíveis. As músicas são recheados de riffs cortantes, como no caso de "Guilty Sleep", música extremamente suingada e agitada que gosto de ouvir antes de entrar em quadra para começar a partida acelerado. Arrisco dizer que esta música está entre as melhores gravações de rock'n'roll dos anos 2000 para cá, temporada em que ele anda carente e o que mais tem são bandinhas indie por demais caretas.
Outro ponto extremamente positivo está no sarcasmo e inteligência das letras. "So everyone's feeling sorry for you, that's a dream come true"; "Everything that breaks your heart sure comes from your mind" são algumas das muitas frases de efeito.
Resumindo, aqui está um disco recheado de autenticidade, bem gravado, otimamente interpretado e bom pra ouvir em volume alto.

01 - Mornig Kiss
02 - Acid Tongue, Bitter Lips
03 - Overmotivated
04 - Overmedicated
05 - I'll Set Rob's Mercedes on Fire
06 - Guilty Sleep
07 - Oh Dear
08 - Oh Well
09 - Oh Boy
10 - All Right

segunda-feira, 25 de abril de 2011

1991 - Os Paralamas do Sucesso - Os Grãos


Neste final de semana, ao futucar o blog, notei fato simbolicamente importante para esta postagem. Ela selará um ciclo de reconstrução. Com o post de hoje, todas as publicações que aparecerão na página principal serão desta nova fase.
Momento em que decidi dedicar o blog ao tempo e mais tempo aos textos e informações interessantes para compartilhar. No ano passado, ser questionado sobre o fim do blog era uma constante por parte de amigos e leitores. Agora, mais vivo do que nunca, a interação está sendo altamente produtiva, enriquecedora e gratificante.
Sinto que assim como a Fênix, este blog ressurge das cinzas e ousa voos mais altos. Pensando nisso, procurei algum artista que representasse tal renascimento e lembrei do Hebert Vianna. O cara passou por poucas e boas, mas teve força e sabedoria para superar as dificuldades e tocar em frente vida e carreira.
Somando coincidências, este final de semana (de lua cheia) foi de rearrumar a casa. A faixa "Tendo a Lua" narra muito bem essa história e tem a mais bela frase da música pop brasileira: "Tendo a lua aquela gravidade aonde o homem flutua merecia visita não de militares, mas de bailarinos e de você e eu".

01 - Tribunal de Bar
02 - Sábado
03 - Tendo a Lua
04 - Os Grãos
05 - Carro Velho
06 - Vai Valer
07 - Trac Trac
08 - O Rouxinol e a Rosa
09 - A Outra Rota
10 - Dainos
11 - Ah, Maria
12 - Não Adianta
13 - Trinta Anos


PS1: vim de Phoenix
PS2: com carinho, dedico esta postagem a uma Fênix

terça-feira, 19 de abril de 2011

1973 - Tom Jobim - Matita Perê


O que dizer de Matita Perê sem cair na óbvia bajulação? Não sei!
Escolhi este disco para contar a experiência deste final de semana, quando escutei pela primeira vez discos (em vinil) que só conhecia através de arquivos de mp3. Impressionante notar como certas músicas passaram a fazer muito mais sentido ao percebermos timbres, instrumentos, equalizações e diversas outras texturas que o mp3 oculta.
Portanto, decisão tomada: compro meu toca-discos ontem!
O arquivo de hoje está em 320 kbps e não vejo a hora de ouvir este vinil. Como ainda não tenho, hoje contentar-me-ei em ouví-lo nas minhas queridas Mackie MR-5 em mp3 mesmo.

01 - Águas de Março
02 - Ana Luiza
03 - Matita Perê
04 - Tempo Do Mar
05 - The Mantiqueira Range
06 - Crônica da Casa Assassinada (a. Trem Para Cordisburgo / b. Chora Coração / c. O Jardim Abandonado / d. Milagre e Palhaços)
07 - Rancho das Nuvens
08 - Nuvens Douradas